A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 30/10/2019

No filme " Os delírios de consumo de Beck Bloom", mostra-se o cotidiano de uma moça incapaz de controlar seus impulsos consumistas, o que a faz comprar coisas supérfluas sem sequer preocupar-se com o consequente endividamento. Fora das telas, a realidade não se mostra tão diferente, já que grande parcela populacional encontra-se com “nome sujo”, seja pela ausência de educação financeira nos ambientes de ensino ou pelo consumismo induzido pela mídia. Assim, é preciso analisar as causas da problemática, para então, promover uma mudança no paradigma abordado.

Em primeiro plano, vale salientar que a falta de instrução sobre o gerenciamento do dinheiro compromete o planejamento financeiro dos cidadãos. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, cerca de 68% das famílias gastam mais do que ganham, fato que consolida o crescente número de pessoas endividadas e retarda o crescimento econômico nacional. Constata-se, dessa forma,que o descontrole das finanças prejudica não apenas a esfera privada, mas a economia como um todo que, sem alternativas que revertam o quadro, pode entrar em colapso, evento que ocorreu na Crise de 1929, que assolou a economia estadunidense e prejudicou a população em geral.

Somado a isso, a excessiva quantidade de propagandas que induzem o consumidor a comprar produtos, por vezes supérfluos, acentua o impasse. Assim como ocorreu com os comerciais em massa do " American Way of life", a população também vê-se na necessidade de adquirir sempre novas aquisições, preocupada em seguir o fluxo do capitalismo,o que a faz relevar os endividamentos decorrentes de tal impulso. Assim sendo, políticos populistas e bancos tendem a aproveitar da pouca instrução financeira das massas, de modo a prometer soluções “milagrosas” para a maioria endividada, que na prática não resolvem os problemas econômicos do cidadão, ressaltando a problemática.

Com base nessa perspectiva, uma ação conjunta faz-se necessária para mitigar o paradigma, na qual o Ministério da Educação, através de uma mudança na grade curricular estudantil, promova a inclusão de educação financeira nas escolas, com cartilhas explicativas e aulas dinâmicas que ensinem sobre o gerenciamento do dinheiro, a fim de preparar a nova geração para os impasses da economia e reduzir a falta de instrução acerca do funcionamento de mercado. Concomitantemente, a Mídia, por meio de programas como Fantástico e canais do Youtube Educação,elabore produção de conteúdo voltado para o autocontrole frente às tendências capitalistas, além de instruir sobre planejamento financeiro, para assim, democratizar a educação econômica. Com isso, o cidadão brasileiro será mais preparado para lidar com o mercado capitalista,o que o distanciará da realidade mostrada no filme de Beck Bloom, que passará a ser parte apenas da ficção.