A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 09/10/2019

Tino, pai de família no filme " Até que a sorte nos separe", tem sua vida transformada após ganhar na loteria, todavia, por ser analfabeto em questões financeiras, acaba por perder toda sua fortuna ao mercado de bens. De maneira análoga, quando se observa a deficiência no setor educacional de finanças, percebe-se a proximidade desse ideário da realidade brasileira. Nesse sentido, nota-se o poder midiático e os interesses privados como principais premissas à problemática.

Deve-se pontuar, à principio, a frase do escritor inglês George Orwell " A massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa". Com esse contexto de ciclo vicioso, percebe-se a indústria midiática como manipuladora do comportamento da população frente ao exacerbado consumismo, principal ferramenta do capitalismo, contribuindo de forma significativa na má manipulação do brasileiro com o capital. Não são raros os exemplos que comprovam tal poder da mídia nas ações sociais, um dos principais ocorreu no período ditatorial do Brasil, quando a mídia foi arauto do trama golpista contra o presidente João Goulart e na aceitação das massas dessa postura. Assim sendo, dada a dualidade do consumismo e educação financeira, os cidadãos, vítimas da influência ao consumo exercida por esse quarto poder, enfrentam cada vez mais uma realidade de crise financeira e extrema dificuldade de ascensão econômica.

Cabe perceber, outrossim, os interesses das classes privilegiadas na manutenção de uma sociedade leiga quando se refere ao setor financeiro. De acordo com o serviço de proteção ao crédito ( SPC Brasil), cerca de 62,6 milhões de brasileiros terminaram o ano de 2018 com o CPF negativado. Concerne perceber com o dado, um elevado percentual populacional carente de educação financeira e, por conseguinte, endividados. Tal conjuntura, atrelada ao ideário da Luta de classes defendida pelo filósofo Karl Marx, apresenta-se de maneira proposital e estratégica, uma vez que quando o conhecimento econômico se restringe as classes dominantes há uma maior facilidade na garantia desse grupo no poder.

Torna-se evidente, portanto, os entraves referentes a precária educação financeira na realidade dos brasileiros. Logo, a priori, cabe ao Estado a criação de projetos de ação responsáveis por regular os conteúdos veiculados pela mídia, no intuito de reduzir propagandas que induzam o consumismo compulsório. Além da introdução, nesses canais, de documentários e entrevistas com economistas que ensinem os cidadãos melhorar a manipulação das suas finanças. A posteriori, compete ao Ministério da Educação implementar a disciplina de educação financeira desde o ensino de base, a fim de formar um futuro público consumidor mais conscientes e até mesmo investidores.