A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 05/10/2019
Na canção Babylon, de Zeca Baleiro, o compositor demonstra saber sobre o valor das coisas quando afirma que “nada vem de graça, nem o pão, nem a cachaça”. Nesse sentido, é possível apreender que as coisas possuem um custo, sejam as necessidades básicas como a alimentação ou, ainda, a diversão. Contudo, é perceptível que no Brasil a educação financeira ainda é pouco disseminada, o que gera dificuldades não apenas para os indivíduos, mas também para todo o conjunto da sociedade.
Nesse contexto, levantamentos dos órgãos de proteção ao crédito apontaram que mais de 60 milhões de brasileiros estavam com o nome negativado no mercado, o que representa mais de um quarto da população do país. Esse alto número de inadimplentes decorre, dentro outros fatores, da dificuldade encontrada pelos cidadãos, no Brasil, de gerir, poupar e investir seu dinheiro de maneira adequada, ou seja, falta uma educação financeira. Nessas circunstâncias, a ausência de conhecimento suficiente para cuidar das finanças pessoais e o acúmulo de dívidas contribuem para o agravamento da crise econômica nacional, na medida em que o comprometimento da renda com o pagamento de dívidas deixa de ser aplicado no consumo e na produção, estagnando a economia.
Com efeito, observa-se tamanha a relevância dessa temática, que acabou sendo uma das principais bandeiras de campanha de um dos candidatos à Presidência da República em 2018, que pretendia “limpar o nome” dos cidadãos endividados por meio de um programa de renegociação de dívidas, com a eliminação dos juros sobre os débitos. No que pese a importante proposta do presidenciável, à época, essa seria apenas uma medida emergencial, sendo necessário medidas que viessem a colaborar com a formação consciente do cidadão, no sentido de capacita-lo na administração de seus recursos financeiros, do contrário, novos endividamentos voltariam a acontecer, pois como bem lembra a música popular, “dinheiro na mão é vendaval”.
Pelo exposto, nota-se a importância da educação financeira tanto para a formação pessoal do individuo, como seus reflexos na sociedade, sendo imperioso a ação estatal para contribuir com avanços significativos na área. Faz-se necessário, portanto, que as escolas implementem a Educação Financeira, prevista na Base Nacional Curricular Comum, por meio de discussões, debates e práticas orientadoras, que visem estimular o planejamento orçamentário dos alunos. Nesse sentido, busca-se relacionar teria e prática para a construção de um saber sólido, de maneira a inserir no seu cotidiano, rotinas de uso racional do dinheiro.