A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 08/10/2019

Em 1929 os Estados Unidos enfrentaram a mais grave crise econômica de sua história, por conta do “crash” da bolsa de valores de Nova York, a qual afetou as principais economias de todo o globo. Entretanto, hodiernamente observa-se que a população, sobretudo a brasileira, não aprendeu com as marcas deixadas na história mundial, ao negar-se a dar a devida importância à educação financeira. Com efeito, a inoperância estatal no estímulo ao debate do assunto nas esferas escolares e a omissão social no uso consciente do dinheiro, configuram-se como entraves para a resolução do problema.

Em primeira análise, nota-se o descaso do Estado no que tange ao fomento da educação financeira no ensino básico. Segundo a óptica filosófica de São Tomás de Aquino, todos os cidadãos são iguais em direitos e dignos da mesma importância. Contudo, a prática deturpa a teoria, visto que a malha brasileira carece de investimentos nas séries iniciais do ensino básico para a estimulação do uso racional do dinheiro e do investimento saudável desse bem material. Em consequência disso, gera-se adultos menos conscientes de seu poder de compra, o que pode levar ao endividamento dos indivíduos. Dessa forma, tal realidade nociva se contrapõe aos dizeres da Carta Magna de 1988, a qual assegura o bem estar geral do corpo civil.

De outra parte, percebe-se a indiferença da sociedade no que se refere ao usufruto cuidadoso dos seus ganhos advindos do trabalho. De acordo com o sociólogo francês Pierre Bourdieu, em sua Teoria do Habitus, o corpo social possui padrões que são impostos, naturalizados e, posteriormente, reproduzidos. Sob esse viés, depreende-se que a coletividade, ao longo do tempo, absorveu uma “cultura do consumo”, cuja estrutura baseia-se no consumismo exagerado, sem a preocupação com dívidas ou a real necessidade da compra. Por conseguinte, vê-se o aumento alarmante do número de pessoas com pendências bancárias pelo uso de cartões de crédito, por exemplo. Destarte, medidas enérgicas são necessárias para se alterar essa “padronização” proposta por Bourdieu.

Nesse cenário, portanto, é vital a modificação do quadro de utilização indiscriminada do dinheiro no Brasil. Para tanto, o Tribunal de Contas da União deve elevar o percentual de verbas que, por intermédio do Ministério da Educação, serão revertidas na implantação da disciplina de educação financeira nas séries do ensino fundamental, por meio de professores especialistas na área financeira, com o intuito de formar adultos conscientes de seu papel econômico-social, no fito de garantir o que é previsto em Lei. Ao mesmo tempo, cabe às Prefeituras, aliadas às ONGs, a realização de palestras e mesas-redondas em escolas e centros culturais, com vistas a alertar acerca da responsabilidade da administração de seu patrimônio. Assim, males como o “crash” de Nova York não afetar-nos-ia.