A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 08/10/2019
O livro “Pai rico, pai pobre”, de Robert Kyosaki, enfatiza o êxito como sendo intrínseco à boa instrução e desconexo a fatores como sorte ou acaso. Nesse sentido, o autor, ao conviver com dois pais, um biológico e outro de consideração, aprendeu que o sucesso financeiro deriva de escolhas e posturas conscientes. Desse modo, é plausível cogitar que a importância da educação financeira é a de ser alicerce na vida do cidadão, norteando suas ideias e ações. Ao mesmo tempo, ela é capaz de ajudar a superar e evitar situações como inadimplência e a consolidar um bom “mindset”, isto é, um padrão de pensamento. Entretanto, sua ausência é sensivelmente observada na economia do pais e na vida cotidiana.
A princípio, o alto contingente de inadimplentes, 62,6 milhões de pessoas, segundo dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), demonstra a insuficiência do salário mínimo atual, de quase R$ 1000,00, perante às necessidade de consumo e os elevados preços. Todavia, são os gatilhos mentais e as campanhas publicitárias, que, ao instigar o consumidor, acionam seus impulsos de compra, ocasionando a negligência de suas reais necessidades e demais prioridades. Acerca disso, profissionais de finanças, como o professor Gustavo Cerbasi, orientam que o melhor é buscar autocontrole em tais situações e, antes de ir às compras, racionalizar o poder de aquisição para, desse modo, não contrair dívidas, tomar empréstimo em bancos sob altos juros e prejudicar o orçamento.
Ademais, além do endividamento e do descontrole emocional, a desinformação acerca de como superar dívidas e rentabilizar o próprio dinheiro são questões ainda complexas. A Bolsa de Valores de São Paulo, B3, tem somente 1 milhão de clientes, ou seja, 0,5% da população nacional. Por isso, investimentos como Tesouro IPCA fazem pouco sentido, haja vista que a mentalidade das pessoas, via de regra, é mais focada em tentar quitar débitos e poupar, do que em maximizar ganhos. Consequentemente, diferente do que M. Gunther ensina no livro “Axiomas de Zurique”, o brasileiro tem um padrão de pensamento retraído e que pouco arrisca em investir, pois, não sabe lidar com capital e liquidar suas pendências. Como resultado final, tanto a micro quanto a macroeconomia são lesadas.
Portanto, a instrução é primordial para aprimorar o comportamento e capacidade de gestão de indivíduos, ajudando-os a concretizar seus objetivos. Cabe ao Ministério da Educação e Cultura agregar à Base Nacional Comum Curricular aulas sobre psicologia do consumo, mercado financeiro e investimentos em ativos, ministradas por profissionais de áreas afins, envolvendo a família e esclarecendo sobre pontos concernentes à realidade econômica da vida local e nacional. Assim, com ordem e informação, será possível alcançar o progresso do pais preconizado na bandeira nacional.