A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 12/10/2019
Segundo Pierre Bordieu, a sociedade naturaliza e reproduz o que lhe é apresentado como padrão. Sob essa ótica, com o advento do capitalismo e a sua consolidação pós Revolução Industrial, o hábito de comprar passou a ser sinônimo de de poder aquisitivo e até mesmo uma forma de lazer. Nessa lógica, esse padrão foi incorporado na sociedade ocidental, conforme a teoria de Bordieu, e trouxe inúmeras consequências, dentre elas o endividamento pessoal. Assim, nota-se se a necessidade da educação financeira na vida do cidadão, para que ele controle melhor as suas finanças. Logo, cabe analisar a importância dessa educação e a influência da mídia nesse processo.
A priori, é de praxe entender como a educação financeira é um tópico fundamental no ensino escolar. Seguindo esse raciocínio, de acordo com o educador Paulo Freire, a escola é teoria posta em prática. Consequentemente, ações pedagógicas com o objetivo de refletir sobre os padrões de consumo e o gerenciamento de finanças deveriam ser desenvolvidas nas salas de aula brasileiras, o que pouco acontece. Nesse sentido, a prática da educação financeira é inviabilizada, pois não é ensinada. Caso fosse, os jovens teriam contato mais cedo com o controle de finanças e poderiam empregá-lo em suas vidas pessoais, o que iria reduzir o índice de inadimplência financeira do país, que chega a 41% na população adulta, segundo dados do Serviço de Proteção ao Crédito.
Ademais, é notório que um dos principais incentivadores do consumismo é a mídia. Sob essa visão, os filósofos da Escola de Frankfurt afirmam que os meios midiáticos possuem poder de dominação por causa do seu potencial de alcance. Nesse raciocínio, esse pensamento se encaixa no consumismo, pois, ao serem disseminadas pelos veículos de comunicação, as propagandas publicitárias exercem coecitividade no indivíduo, ofertando uma variedade de mercadorias e incentivando-o a comprá-las. Esse costume corrobora a passividade do consumidor, que, muitas vezes, compra sem pensar no limite do seu orçamento e se endivida.
Infere-se, portanto, que há obstáculos impedindo a educação financeira ser aplicada efetivamente no país. Para isso, a inserção do gerenciamento de finanças na Base Nacional Comum Curricular deve ser executada conforme previsto, para que os jovens aprendam a controlar melhor o seu dinheiro. Além disso, por meio da legislação, o poder federal deve reduzir o tempo destinado à campanhas publicitárias nos meios de comunicação, com afinco de restringir a exposição do consumidor a anúncios. Desse modo, os padrões de consumo poderão ser mudados e a educação financeira passará a fazer parte do cotidiano do cidadão brasileiro.