A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 13/10/2019
No filme “Os delírios de consumo de Beck Bloom” é retratado o desespero de uma mulher em controlar os seus impulsos de compra e construir um autocontrole financeiro. A história foca na vida de Rebecca, que após construir sua carreira e sua estabilidade enfrenta as dificuldades da falência por conta do consumo exacerbado. Fora da ficção, a realidade apresentada pela narrativa não se distancia do cenário econômico do Brasil, uma vez que a população se encontra afundada em dívidas, em razão do estímulo social no corpo juvenil e das estratégias capitalistas para fomentar o consumo.
Primeiramente é importante destacar que, devido ao status de consumo que foi criado pela coletividade, as pessoas são pressionadas a se encaixar em um padrão que nutre uma vontade ilusória de atualização e em troca dá ao indivíduo uma suposta sensação de pertencimento. Visto que tais táticas usam da persuasão para atrair as pessoas, são mais bem-sucedidas entre os jovens, fato esse que é atestado pelos dados divulgados pelo SPC Brasil, os quais afirmam que dos 41% da população que em 2018 possuía os nome sujo, a maioria estava na faixa de 18 e 24 anos. Dessa forma fica claro o poder de convencimento que é sobreposto aos jovens, o qual conforme vai se intensificando e ditando a “moda”, vai transformando a base da pirâmide em compradores compulsivos.
Além disso, observa-se o poderio do sistema capitalista no que se refere aos seus impactos negativos na sociedade. No filme “Trabalho interno” é exposto o processo da financeirização, etapa esta que por dispor de empréstimos sem adotar critérios é relacionada a crises econômicas. À vista disso, fica claro que ao oferecer caminhos para o dispêndio, cria-se no cidadão a falsa necessidade de consumo e faz dele um instrumento de manipulação para atender aos interesses do comércio, o que dificulta a educação do mesmo. Pois, de acordo com a pesquisa feita pelo BCB, pessoas que recebem uma educação financeira, além de possuir uma menor vulnerabilidade a abusos, possuem uma consciência a respeito do produto financeiro que é adequado para sua circunstância. Assim sendo, percebe-se a importância das instituições sociais para promover conteúdo a respeito da temática.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para superar o quadro atual. Para o restabelecimento da conjuntura brasileira que se encontra regida pela desordem financeira, urge que o Ministério da Educação e Cultura (MEC) promova palestras que detalhe o funcionamento das estratégias de convencimento, por meio de verbas públicas, a fim de instruir as pessoas sobre os perigos do consumo e das técnicas capitalistas, e impedir que se endividem por conta da pressão social e da manipulação. Somente assim, será possível desconstruir a obsessão e a indução criada pelo capitalismo e pela sociedade consumista que age em prol de um status social pré-estabelecido.