A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 10/10/2019
No filme “Até que a sorte nos separe”, o personagem principal, Tino, tem sua vida totalmente transformada ao ganhar na loteria e começa a viver descontroladamente cheio de luxo e ostentação, o que, após dez anos, provoca a sua falência. Em paralelo com a realidade, é certo que a administração do capital se tornou um dos atributos mais significativos para a população no atual cenário capitalista. Nesse contexto, o debate acerca da importância da educação financeira na vida do cidadão tem se tornado cada vez mais pertinente, e isso se evidencia não só pela ausência desse assunto no currículo escolar, como também pelo aumento no número de pessoas endividadas em decorrência do consumismo exacerbado.
É importante atentar-se, em primeira análise, à negligência do Estado com relação ao ensino dos fundamentos da economia. Consoante Émile Durkheim, sociólogo francês, a estabilidade social somente é alcançada quando as instituições sociais cumprem seus papéis. Dessa forma, o Estado, ao não assegurar para a população, desde jovem, meios para a obtenção de informações a respeito não só das formas de administrar o seu dinheiro, mas também acerca do funcionamento de juros, impostos e outras possíveis formas de despesa, fere essa harmonia social. Por conseguinte, é evidente a necessidade de implementar aulas relacionadas ao gerenciamento monetário desde cedo para os cidadãos.
Sincronicamente, em segunda análise, é fato que os hábitos consumistas, cada vez mais consolidados nos indivíduos, têm aumentado o número da pessoas endividadas. Elas tentam ao máximo não se enquadrar no que Zygmunt Bauman, filósofo polonês, caracteriza como “Refugo Humano”, que é a incapacidade adaptativa em relação às contínuas mudanças da hodierna sociedade globalizada, o que gera um sentimento de exclusão social. Sob esse ponto de vista, para não sofrerem esse isolamento, muitos cidadãos gastam, por meio de parcelamentos e empréstimos, um dinheiro que não possuem, a fim de comprar produtos que os insiram no processo de globalização e não se encaixarem no “Refugo Humano” baumaniano, o que lhes gera uma crise financeira. Nesse sentido, é indubitável a relevância de alertar a população a respeito das estratégias de venda na atual conjuntura capitalista.
Em suma, é mister que providências sejam tomadas para amenizar o quadro atual. Com o objetivo de promover educação financeira aos cidadãos, urge que Órgãos educacionais, como o Ministério da educação no caso do Brasil, implementem, por meio de alterações no currículo escolar, o ensino de formas de administração eficazes de dinheiro, como evitar empréstimos e juros altos, com o intuito de diminuir a quantidade de pessoas endividadas. Somente assim, será possível garantir que o cenário vivido por Tino no filme “Até que a sorte nos separe” se torne cada vez menos recorrente, e, desse modo, assegurar o bem-estar social.