A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 10/10/2019

No filme brasileiro “Tô rica”, uma jovem da periferia, após ser agraciada com uma fortuna, acaba desperdiçando o dinheiro devido ao descontrole financeiro. De maneira análoga, fora da ficção, tal quadro de deseducação financeira é uma realidade a inúmeros cidadãos no Brasil hodierno, de modo a gerar cerca de 63 milhões de inadimplentes, segundo o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Com isso, fica claro o impasse, seja pela insuficiência estatal, seja pela mentalidade cívica.

Decerto, avanços à educação financeira foram concretizados, a exemplo da introdução desta na grade curricular de ensino escolas, o que aumenta o conhecimento do cidadão. Porém, a déficit de bombardeamento informativo dentro dos bairros acerca desse tema atenua a sua relevância no imaginário popular. Assim, nota-se o rompimento das gestões públicas com a óptica de Thomas Hobbes, que pontua o Estado como responsável pela harmonia coletiva, pois, além do conflito, há a falta de política efetiva.

Outrossim, vale ressaltar o posicionamento social como notório impulsionador da problemática. Nesse ínterim, John Locke, na teoria da tábula rasa, defende o imperativo do meio na construção do indivíduo. Dessa forma, observa-se que a visão civil, a qual é passiva no trato do controle financeiro individual, é o reflexo da lógica da sociedade, que visa um Estado paternalista, porque, graças à vivência, o cidadão tende reproduzir os elementos do seu cerne.

Infere-se, portanto, a necessidade de medidas que revertam o problema. Nesse caso, cabe às prefeituras a ampliação informativa sobre a educação financeira à população, por meio de projetos educacionais nas comunidades, como gincanas, a fim de reduzir a deficiência governamental. Ademais, compete às associações comunitárias, aliadas às escolas e famílias, a desconstrução do atual pensamento passivo, com o uso de atividades lúdicas, como amostras fotográficas, para diminuir a ordem vigente. Destarte, a realidade do brasileiros não será análoga a vista em “Tô rica”.