A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 10/10/2019
Apenas ficção
Com o advento da Revolução Industrial, iniciada no século XVIII, houve a formação da classe de proletários, os quais se tornaram consumidores dos novos artigos da época. Entretanto, o estímulo não foi acompanhado de educação financeira, o que se manifesta na atual sociedade brasileira. Com efeito, há de se combater a omissão estatal frente a essa mazela e de se adequar a educação às demandas sociais, a fim de se romper com a cultura do endividamento.
Em primeira análise, a omissão do Estado frente à necessidade da educação financeira promove a inadimplência. A esse respeito, o filósofo Adam Smith conceituou a meritocracia como o ideal segundo o qual os méritos alcançados pelos indivíduos devem ser provenientes do esforço pessoal, sem auxílio estatal. Ocorre que, no meio social brasileiro, a ideia defendida pelo pai do liberalismo econômico torna-se nociva, uma vez que questões econômicas não são amplamente discutidas, o que distancia substancial parcela da população da educação financeira e tende a ocasionar altos índices de endividamento e, assim, se configura como um grave problema por gerar desigualdade. Dessa forma, enquanto a meritocracia for a regra, a estabilidade econômica será a exceção.
De outra parte, a educação precária fragiliza a formação de senso crítico. De acordo com Michel Foucault - filósofo francês, a falha na democratização do conhecimento torna os cidadãos mais suscetíveis ao controle simbólico midiático. Desse modo, a rede de ensino no Brasil, por não fomentar o pensamento crítico, forma cidadãos manipulados, por propagandas veiculadas na mídia, a comprar, o que é degradante somado à ausência de educação financeira e se caracteriza como uma mazela social por gerar obstáculos ao planejamento financeiro dos cidadãos e cultura de inadimplência. Logo, se o controle simbólico se mantiver, o Brasil será obrigado a conviver com um problema: a dificuldade de lidar com as finanças.
É notável, portanto, que o endividamento é uma consequência da omissão estatal e da ausência da adequação da educação às demandas da sociedade. Para mitigar essa mazela, o Ministério da Educação deve, com urgência, promover atividades elucidativas, como aulas interdisciplinares de educação financeira em instituições de ensino e palestras acerca do tema em praças públicas, por meio do auxílio de profissionais tanto da educação quanto de economia. Essa iniciativa teria a finalidade de formar, enfim, cidadãos que entendam as suas finanças. Assim, a cultura de inadimplência reduziria no meio social e a efetiva educação financeira deixaria de ser apenas ficção.