A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 10/10/2019

A educação financeira é um aspecto da formação cidadã que está atrelada à estabilidade monetária do indivíduo frente ao sistema capitalista de mercado. Entretanto, a nação brasileira ainda se demonstra incapaz de manter uma situação confortável no âmbito econômico, tendo em vista o enorme número de inadimplentes do país e a rápida obtenção de novas dívidas. Diante disso, pode-se destacar a omissão estatal e a influência da Mídia como os principais propulsores desse problema.

Em primeiro plano, é indubitável que o governo acabe por não desempenhar de maneira eficiente suas obrigações educacionais com a população. Isso ocorre porque, segundo o filósofo contratualista Rousseau, a sociedade deve ser organizada de modo a beneficiar o equilíbrio social. Sob essa perspectiva, é possível afirmar que é dever dos governantes garantir o bem-estar do corpo social como um todo. Todavia, os indivíduos seguem progressivamente sem acesso à informação adequada sobre temas relacionados à educação financeira, uma vez que a manutenção do programa de ensino vigente – no qual é priorizado a didática das matérias que serão abordadas em provas em detrimento de aulas de gestão de capital – propicia o não entendimento do assunto e sua negligenciação. Desse modo, fica evidente que a sociedade não detém seu direito de acesso ao conhecimento de qualidade respeitado e proporciona o aumento da contração de dividas pelos cidadãos.

Ademais, a construção midiática com a ratificação da ascensão social e o alcance da felicidade dos brasileiros pela sua capacidade de consumir, de fato, promove o aumento da obtenção de mercadorias e, consequentemente, das dívidas. Isso acontece pois, de acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman em sua obra “Vida para o consumo”, as pessoas vivem em um meio em que a busca pela felicidade se baseia em preceitos materialistas infinitos que nunca é alcançada. Em decorrência disso, a fetichização da mercadoria é potencializada, e a sua consolidação como símbolo de poder e de realização acarreta na aquisição de bens materiais de maneira desenfreada. Dessa forma, essa valorização do “ter” impossibilita o gerenciamento correto das finanças e das possíveis despesas dos consumidores.

Evidencia-se, portanto, que medidas devem ser tomadas para mitigar esse panorama de desinformação. Para isso, cabe ao Ministério da educação, em conjunto às instituições de ensino, a inclusão de novas disciplinas ao currículo escolar sobre as formas de administrar o dinheiro, sendo realizadas por meio de palestras semanais elaboradas por economistas e especialistas financeiros, a fim de não apenas alertar os alunos-cidadãos acerca das implicações advindas da má gestão financeira e do endividamento, mas também promover uma mudança efetiva no comportamento social dos brasileiros. Então, uma sociedade mais consciente e informada poderá ser instaurada.