A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 14/10/2019

Em “Quincas Borba”, obra de Machado de Asis, é retratada a vida de Rubião, humilde professor, que perdeu a sua herança milionária devido a má gestão do seu dinheiro. Fora da literatura, casos como esse chamam a atenção para a importância da educação financeira na tomada de decisão a respeito de assuntos ligados ao consumo, poupança ou utilização de crédito pessoal. Logo, convém analisar os fatores que impedem que esses conhecimentos tornem-se conhecidos.

Primeiramente, é importante salientar que o Brasil possui uma educação falha. Nesse sentido, nota-se que as escolas não cumprem a sua função de formar indivíduos aptos para a vida em sociedade. Isso fica evidente a partir da análise das grades curriculares dessas instituições que priorizam conteúdos tecnicistas em detrimento de eixos que abordem a educação financeira a partir do desenvolvimento de habilidades básicas, como conhecimentos sobre juros e poupança. De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, mais da metade dos jovens de 15 anos não sabem lidar com o dinheiro cotidianamente. Como consequência disso, formam-se cidadãos inconscientes, sem a capacidade de gerir o seu patrimônio e frágeis para lidar com situações de crise.

Outrossim, vale destacar que as habilidades financeiras, são tratadas de forma restrita aos estudos de nível superior em cursos como Administração, Economia, Contabilidade ou através da vivência no âmbito profissional. Fora destas áreas as pessoas podem não ter oportunidades que lhe permitam fomentar o conhecimento financeiro, mesmo que este aprendizado se mostre importante para a tomada de decisões e formulação orçamentária. Dessa maneira, é justificável os números impressionantes divulgados pela Serasa Experian, os quais mostram que mais de 40% da população brasileira está inadimplente. Logo, fica evidente a relevância da educação financeira, pois como já dizia Émile Durkheim: o indivíduo só poderá agir quando compreender o meio em que vive.

Portanto, medidas são necessárias para solucionar o impasse. Para isso, o Ministério da Educação deve reformular a grade curricular das escolas, a partir da inserção do ensino financeiro, desde os níveis iniciais de escolaridade, de maneira lúdica e adaptada a faixa etária, contando com a capacitação prévia dos professores acerca da temática. Ademais, essas instituições também poderão promover palestras, ministradas por economistas, que expliquem como os alunos poderão administrar e poupar dinheiro, de modo que esses jovens se tornem conscientes em relação a suas práticas de consumo e levem ao âmbito familiar todos os conhecimentos adquiridos. Assim, será possível que histórias como a de Rubião fiquem apenas na ficção.