A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 11/09/2023

Na obra “O Constitucionalismo Brasileiro Tardio”, Manuel Jorge destaca que a carência de cultura constitucional resulta na ineficácia social dos textos constitucio- nais. Para o autor, embora o Brasil seja formalmente moldado pela Constituição Federal, os direitos por ela garantidos, frequentemente, não são aplicados na prática. Nessa perspectiva, essa situação se reflete na realidade brasileira, em que a educação financeira na vida do cidadão é deficitária e age como obstáculo à efetividade dos princípios da Carta Magna. Esse problema decorre não só da ineficiência governamental, mas também da apatia da sociedade.

Percebe-se, a priori, que a frágil atuação do Poder Público possui relação com o revés. Nessa conjuntura, de acordo com o filósofo contratualista Thomas Hobbes, o Estado deve agir para concretizar as normas da sociedade em que opera. Nesse viés, o equívoco surge ao supor que essa premissa é plenamente garantida em todos os setores da comunidade. Tal insuficiência do sistema institucional em suprir as demandas da nação, resulta em inadimplemento, dificultando, assim, o acesso à qualidade de vida e ao princípio constitucional da dignidade da pessoa humana. Diante disso, torna-se substancial a mudança desse quadro.

Ademais, faz-se mister, ainda, salientar a falta de ação social como agravante do problema. Nesse sentido, na obra “Paradoxo Moral”, o filósofo e professor doutor Silvalino Araújo ilustra a cegueira ética do homem moderno, ou seja, a passividade diante dos dilemas enfrentados pelo próximo. De maneira análoga, observa-se que a insuficiência da educação financeira dada aos cidadãos encontra terreno fértil na estagnação social. Isso ocorre devido à sociedade não se mobilizar para erradicar essa questão; ao contrário, assume uma postura individualista. Logo, a mudança do comportamento social é crucial para superar esse paradigma.

Diante do exposto, o Governo Federal, responsável por administrar a sociedade e os seus interesses públicos, deve elaborar políticas públicas que visem promover programas de educação financeira, através de planejamento colaborativo com economistas, com a finalidade de ofertar conhecimentos adequados sobre finanças. Dessa forma, os brasileiros verão os princípios da Carta Magna como uma realidade.