A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 13/10/2019
No início do ano de 2019, a investidora Bettina se tornou famosa por afirmar em vídeos, nas redes sociais, ter acumulado mais de um milhão de reais ainda aos 22 anos. A repercussão foi maior porque a educação financeira é tão precária no Brasil, que poucos são capazes se poupar e investir, enquanto muitos vivem endividados. Isso acontece devido ao ensino excessivamente teórico das escolas, assim como às altas taxas de juros praticadas nacionalmente.
Segundo Aristóteles, “o que sabemos aprendemos fazendo”, ou seja, é com a prática que os conhecimentos de consolidam. No entanto, no Brasil, o ensino prioriza conceitos teóricos e sem relação com a realidade, o que se reflete no péssimo rendimento do país nas avaliações internacionais da educação. Por isso, adolescentes aprendem a calcular juros simples e compostos, mas não são ensinados a administrar suas finanças pessoais e familiares e, portanto, não estão preparados para atuarem na sociedade capitalista.
Outrossim, a falta de conhecimento sobre o uso responsável do dinheiro é particularmente perigosa no país. Segundo o Fundo Monetário Internacional, a taxa de juros do Brasil (cerca de 6% ao ano) é a sexta maior do mundo, superando países como a Colômbia e a África do Sul. Consequentemente, cerca de 60 milhões de brasileiros, que não conhecem ou não praticam ações básicas da educação financeira, como o orçamento familiar, estão endividados e têm sua renda e acesso ao crédito comprometidos.
Portanto, é preciso superar as dificuldades que impedem a educação financeira do povo brasileiro. Nesse sentido, o Ministério da Educação deve modificar o currículo de matemática das escolas brasileiras, de maneira que este contemple (conforme a faixa etária) a educação financeira. O objetivo desta medida é preparar os jovens para a vida adulta em uma sociedade capitalista e, com isso, melhorar a economia do país a longo prazo. Além disso, é preciso que os bancos eduquem financeiramente seus clientes por meio de redução de multas e juros sobre empréstimos e outras operações de crédito para aqueles que participarem de cursos e palestras promovidos pelas instituição. Tal ação visa reduzir os endividamentos e, consequentemente, fazer com que os brasileiros tenham uma relação mais responsável com o dinheiro. Desse modo, histórias como a de Bettina se tornarão cada vez mais comuns.