A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 13/10/2019

A justa medida é a temática central da abordagem filosófica proposta pelo pensador da antiguidade clássica Aristóteles a respeito do entendimento sobre a virtude. De acordo com a sua tese, somente o hábito, em grande medida, seria responsável por conter “exageros”. Para além do contexto histórico específico, contudo, o hábito da educação financeira, primordial para o desenvolvimento das virtudes do cidadão, não é observado no país, configurando-se como uma das contradições mais perversas de uma sociedade em desenvolvimento. Assim, é válido analisar as vertentes que englobam tal realidade, principalmente no que se refere a fragilidade educacional e a coercitividade do viés capitalista.

É importante considerar, de início, a expressividade de uma cultura capitalista como alicerce para a necessidade de um gerenciamento financeiro mais holístico no corpo social. Nesse âmbito, de acordo com o sociólogo Pierre Bourdieu, a sociedade participa de um ciclo vicioso de incorporação, naturalização e reprodução de estruturas padronizadas. Sob esse prisma, o sujeito, ao estar imerso em um tecido social, frequentemente alicerçado em padrões consumistas e ideologias que personificam os produtos, acaba, por vezes, negligenciando seus limites aquisitivos para se adaptar a esse panorama, refletindo, dessa maneira, em uma realidade que desequilibra seu desenvolvimento econômico. Com efeito, a visibilidade de um ensinamento financeiro se mostra notoriamente relevante diante de um panorama em que o consumo é a regra.

Outrossim, é válido ressaltar a inflexibilidade do ensino acadêmico como fator da inércia de uma educação financeira. A esse respeito, de acordo educador Paulo Freire a escola não deve se distanciar da vida cotidiana de seus participantes. Porém, contrariando essa lógica, o currículo básico brasileiro, frequentemente embasado em padrões normativos, deixa de contemplar uma compreensão dialógica a respeito dos comportamentos geracionais, o que, de fato, inviabiliza a formação de indivíduos mais preparados para lidar com o contexto financeiro. Assim, é factível que a falta de resiliência dos sistemas educacionais possibilita, muita vezes, a manutenção de uma sociedade fragilizada economicamente.

É imperioso, portanto, mecanismos energéticos no embate desse cenário. Assim, cabe à gestão federal, juntamente com o Ministério da Educação priorizar o fortalecimento de estrategias vinculadas a uma alfabetização econômica. Isso pode ser consolidado por meio de projetos vinculados a universidades que contemplam cursos de contabilidade, para que, através de palestras e diálogos nos espaços públicos e nas escolas, com profissionais adequados, seja viável a formação e orientação de um pensamento mais crítico quanto à realidade do dinheiro, e teria a finalidade de recuperar um corpo social mais saudável com relação às suas próprias finanças.