A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 13/10/2019

O filme brasileiro “Até que a sorte nos separe” conta a estória de uma família que se torna milionária após ganhar na loteria, mas que, por gastar desenfreadamente e sem planejamento algum, em pouco tempo perde toda a sua fortuna. De maneira semelhante, fora da ficção, grande parte dos jovens brasileiros está inadimplente pela falta de acesso a uma educação financeira eficaz. Desta forma, faz-se necessária uma discussão sobre a importância da educação financeira na vida do cidadão.

A priori, na maior parte da história, os cidadãos brasileiros foram estimulados a consumir desenfreadamente. De acordo com Durkheim, fatos sociais são modos de agir, pensar e sentir impostos pela sociedade sobre os indivíduos. E, de maneira análoga ao pensamento do sociólogo, durante a Guerra Fria, o Brasil sofreu forte influência dos EUA e do seu “american way of life”, que considerava o consumismo descontrolado – muitas vezes de coisas supérfluas – como o principal caminho para alcançar a felicidade. Assim, principalmente durante o governo de JK, a entrada de bens duráveis estrangeiros, como carros e eletrodomésticos, gerou grande euforia entre os brasileiros, apesar de a dívida brasileira aumentar cada vez mais. Infelizmente, essa visão persiste na mente de muitos cidadãos, devido à deficitária educação financeira que sequer existe em muitas das escolas brasileiras.

Ademais, é necessário focar no fato de que as crianças são seres humanos com sua personalidade ainda em formação. Segundo o filósofo John Locke, o homem nasce como uma folha em branco que é escrita a partir do que vivemos e experimentamos ao longo dos anos. Em consonância com o pensamento do inglês, nossa personalidade é construída a partir do que vemos, ouvimos e sentimos. Dessa maneira, assim como uma criança pode ser influenciada pelas propagandas de brinquedos e roupas exibidas diariamente nos canais de televisão, caso ela tenha acesso aos benefícios da compra consciente, do planejamento financeiro, da economia e do investimento de uma maneira divertida e interessante, ela terá grandes chances de ser positivamente encaminhada a um caminho contrário ao dos 62 milhões de brasileiros que fecharam o ano de 2018 com o nome sujo, conforme dados do SPC.

Portanto, medidas são necessárias para garantir o acesso dos cidadãos brasileiros a uma educação financeira eficaz desde os primeiros anos de vida. Urge que as escolas públicas de ensino fundamental, por meio de verbas governamentais, realizem mais atividades lúdicas envolvendo assuntos relacionados ao mundo financeiro, como gincanas que contem com a participação de economistas que auxiliem as crianças em jogos que estimulem o planejamento financeiro e demonstrem a importância da consciência financeira. Nesse sentido, o intuito dessa ação deve ser o de criar jovens que não tenham o dinheiro como um problema, mas sim como a solução deles.