A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 14/10/2019

No livro “Alice no País dos Enigmas”, escrito por Raymond Smullyan, Alice é uma criança que encontra-se frente a diversos problemas matemáticos e deve resolvê-los para entender a dinâmica daquele lugar estranho. Como na ficção, enigmas numéricos também surgem no mundo real e viram pesadelo para uma sociedade despreparada – o que é visível quando trata-se de educação financeira. Assim, o ensino sobre economia para uma população é de grande importância para que seus cidadãos tornem-se independentes e capazes de contornar dificuldades mundanas.

A princípio, o ineficiente ensino da matemática no Brasil é um dos principais causadores da má gestão financeira que ataca a população. Paulo Costa, economista brasileiro afirma que “o nível de educação financeira no país é baixo, entre outros motivos, porque o nível de educação matemática no país também é baixo”, o que confirma-se pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa): o Brasil está abaixo da média global em todas as categorias de ensino, mas especialmente na área de exatas, alcançando a posição 65 no ranking. Assim, sendo o Brasil um país cujas engrenagens econômicas são movidas pelo capital, o desenvolvimento da educação financeira é pauta urgente para desatar o nó causado pela falha administração do dinheiro.

Além disso, a importância do ensino sobre economia para os cidadãos engloba a melhoria generalizada de uma série de fatores cotidianos. Aprender a gerir a própria renda é essencial para uma vida mais prática e com menos problemas, e isso inclui não só se privar de gastos, mas também saber como fazer uso do dinheiro de maneira consciente: como, onde, por que e em quê investir. Perguntas como essas libertam o indivíduo de desordens provocadas pelo saber limitado sobre economia; isso é refletido no romance “A Falência”, da brasileira Júlia Lopes de Almeida, que narra a ruína financeira de uma família rica paulista, no século XIX, devido à ignorância e baixa escolaridade do cafeicultor responsável pela renda familiar, o qual assinou um contrato desleal por não entendê-lo.

Portanto, é dever do Ministério da Educação investir no desenvolvimento da educação financeira nas escolas, por meio da capacitação dos professores para usar o ensino da matemática na explicação de noções da economia – como taxas de juros, inflação, empréstimos e dívidas –, a fim de educar os jovens desde cedo. Ademais, é importante que o Estado atue na educação da população, através do fornecimento de palestras gratuitas por profissionais da área financeira – como economistas, professores, administradores, contadores, entre outros –, com o objetivo de ampliar da cidadania no país. Dessa forma, será possível instruir a sociedade ao encontro de soluções para problemas numéricos, como os enfrentados por Alice, no “País dos Enigmas”.