A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 29/10/2019

Realidade distante

No início do século XX, o governo norte-americano promoveu grande expansão de crédito para a população, que confiava no constante crescimento dos EUA entre 1918 e 1928. Ocorre que a população não estava preparada para a grande recessão econômica que ocorreria em 1929, fenômeno que ficou conhecido como Grande Depressão. Nesse viés, o despreparo e a falta de planejamento econômico, tal como ocorreu na Crise de 29, são a cruel realidade dos brasileiros, o que demonstra a importância da educação financeira na vida do cidadão para superar a formação histórica baseada na pobreza e  a submissão do indivíduo.

A princípio, a inabilidade em lidar com o dinheiro decorre da histórica cultura de pobreza, na medida em que é inviável ter planejamento financeiro quando não há o que se administrar. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV/IBRE), o índice que mede a desigualdade de renda vem subindo consecutivamente desde 2015, o que demonstra que as pessoas que ganham menos sofreram mais os efeitos da crise e estão demorando mais para se recuperar na comparação com os mais ricos. Nesse viés, o brasileiro acostumou-se a viver com recursos escassos, e o planejamento financeiro não é a prioridade em uma nação marcada pela exploração colonial, que ainda se perpetua.

De outra parte, o modelo de escola que ainda está vigente no Brasil baseia-se no Iluminismo, do século XVIII, que impõe a submissão do indivíduo. Essa manobra, inspirada no ideal iluminista, faz com que os jovens não sejam estimulados a terem sucesso financeiro, mas sim a dependerem de seus empregadores. De acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais(AMBIMA), apenas 10% dos jovens poupam algum dinheiro por mês. Ora, a educação financeira daria a possibilidade de o cidadão emergir socialmente e exigir melhores condições de emprego e de vida, o que no Brasil não era -e ainda não é- o interesse das classes dominantes.

A educação financeira, portanto, deve ser melhor administrada pelos cidadãos. Para isso, as escolas devem problematizar a histórica cultura de pobreza, que ainda permanece enraizada na sociedade, por meio de eventos pedagógicos, como aulas e palestras, capazes de mostrar a necessidade de organizar os gastos, sobretudo em tempos de crise. Ademais, é preciso que o Ministério da Economia promova campanhas de conscientização, por meio sites e recursos televisivos, capazes de informar as diversas formas de investimento para a população -previdência privada, tesouro direto. Essas iniciativas teriam a finalidade de motivar homens e mulheres, desde a infância, a aprender a administrar o próprio dinheiro, de modo que a Grande Depressão seja uma realidade distante no Brasil.