A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 16/10/2019
O filme “Os delírios de consumo de Becky Bloom” retrata a vida de uma jovem viciada em compras e que, por esse motivo, fica constantemente endividada. Apesar de ser uma ficção, a obra mostra uma realidade vivida no Brasil, em que a falta de informação sobre finanças e o consumismo desenfreado são os principais problemas enfrentados para uma educação financeira de qualidade.
Observa-se, em primeira instância, que, diferente do que acontece nos países desenvolvidos, as escolas do Brasil não contam com uma disciplina sobre educação financeira. Por conta disso, os adolescentes crescem desconhecendo os benefícios do uso consciente do dinheiro e os perigos de ser negligente com ele. De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mais da metade dos jovens de 15 anos não têm conhecimentos básicos de como lidar com o dinheiro cotidianamente. Por conseguinte, ao se tornarem adultos tendem a passar por dificuldades para controlar seus gastos, consomem sem responsabilidade e se afundam em dívidas, visto que, segundo o Serasa, 63,2 milhões de brasileiros estão com o nome sujo. Nota-se que é de extrema importância que o planejamento financeiro seja abordado nas instituições de ensino.
Ademais, sabe-se que o consumismo desenfreado é um dos grandes inimigos da educação financeira, pois, assim como afirma o escritor português, José Saramago, tudo está sujeito ao consumo.
Segundo a Confederação Nacional de Direitos Logistas (CNDL) e o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), 67% dos consumidores brasileiros não conseguem guardar nenhuma parte de seus rendimentos mensais. Isso ocorre porque as pessoas não planejam seus gastos e estouram seu orçamento com despesas supérfluas, o que contribui para uma vida econômica debilitada. Sendo assim, incentivar o empoderamento financeiro na sociedade faz-se necessário.
Torna-se evidente, portanto, que a educação financeira é uma questão em pauta no Brasil. Para resolver tal impasse, o Ministério da Educação deverá fazer uma releitura nos cursos de licenciatura, inserindo um estudo mais amplo de planejamento financeiro na disciplina de matemática, com a perspectiva de que os profissionais possam repassar para os alunos a importância de organizar suas finanças. Além disso, em parceria com o Ministério da Economia, irá promover, em todas as instituições de ensino do país, ações educativas, como palestras e oficinas, ministradas por profissionais da área de finanças, com o objetivo de alertar sobre os efeitos do consumo exagerado e dar dicas de como evitá-lo, exercendo, assim, à criticidade e o consumo consciente, tornando a sociedade empoderada financeiramente.