A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 22/10/2019
No contexto do regime militar, enquanto o mundo atravessava a crise econômica do petróleo, em 1973, o Brasil vivia seu milagre econômico, por obra de sucessivos empréstimos internacionais, o que gerou ulteriormente um aumento exponencial da sua dívida externa. Diante disso, é notório observar que a deficitária educação financeira do país tem contornos históricos, graças ora ao descaso governamental, ora ao despreparo civil. Destarte, é crucial o debate sobre a problemática em questão.
A priori, é válido ressaltar que a Constituição Cidadã, promulgada em 1988, garante ao indivíduo direitos essenciais, tais como saúde e educação de qualidade, os quais fomentem o bem-estar social. Entretanto, segundo a Fundação Getúlio Vargas, 2017, mais da metade dos jovens brasileiros não sabem aplicar matemática básica aos problemas financeiros do cotidiano. Sob esse viés, consoante ao filósofo contratualista John Locke, tal conjuntura configura-se uma quebra do “pacto social”, uma vez que o governo não tem assegurado ao cidadão um ensino abrangente e prático, que integre desafios sociais ao conhecimento teórico, assim como tem posto a educação financeira em últimos planos.
Outrossim, pode-se afirmar que o comportamento da sociedade brasileira quanto à baixa prudência econômica é um exemplo da menoridade intelectual definida pelo filósofo Immanuel Kant. Sob essa ótica, para tal pensador iluminista, o indivíduo alcança o “esclarecimento” na medida em que pára de agir de maneira alienada e passa a proceder com o exercício da razão. Assim sendo, de maneira análoga, o corpo social brasileiro só conquistará o seu esclarecimento econômico quando se tornar capaz de perceber que a educação financeira é essencial para gerar uma postura crítica sobre o uso correto do dinheiro, bem como para evitar futuros endividamentos e inadimplências.
Visto isso, urge, portanto, que medidas sejam tomadas para mitigar tal contexto. Para tanto, é fundamental que o Ministério da Educação, aliado ao Ministério da Economia, estimule o saber financeiro desde a tenra idade, por meio da criação de disciplinas escolares que abordem temas como investimentos e controle de finanças, com o fito de desenvolver criticidade sobre a função do dinheiro. Feito isso, as futuras gerações brasileiras estarão um passo à frente para retificar as falhas do histórico posicionamento econômico do país.