A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 16/10/2019

O Instituto Britânico de Estatísticas Nacionais divulgou que o custo de vida médio de um jovem na Grã-Bretanha chega a ser doze vezes maior do que fora a trinta anos atrás. A partir disso, observa-se que tal cenário se reproduz concomitantemente com uma tendência global, o que, tendo em vista a finitude dos recursos, leva a uma discussão acerca da necessidade da implementação de políticas de educação financeira na sociedade contemporânea, sobretudo nos desdobramentos de uma crise econômica de escala mundial. Nesse sentido, torna-se essencial o apoio e investimento na educação financeira seja para evitar danos e embaraços, seja por ser o caminho certeiro para uma vida segura.

No que concerne ao primeiro ponto, é relevante destacar que a sociedade atual desenvolveu uma cultura de consumo que impôs uma pressão consumista capaz de gerar prejuízos orçamentários ao sujeito. Para elucidar essa questão, o sociólogo Zygmunt Bauman afirma que a busca por manter-se atualizado nas tendências gera uma pressão social da qual não conseguem escapar aqueles que carecem de recursos para investir no consumo. Posto isso, infere-se que a coerção externa da sociedade no indivíduo demanda, por parte deste, um equilíbrio financeiro capaz de conciliar os interesses com o factível. Desse contexto, emerge a educação financeira, como ferramenta que promoverá o balanço, desenvolvendo senso de responsabilidade e estimulando a autonomia fiscal.

Já em relação ao segundo ponto, é válido salientar que a ausência da formação financeira pode implicar em crises individuais e coletivas, gerando sofrimento em si e no outro. Acerca desse ponto, o humanista Thomas Morus retrata, em “A Utopia”, uma sociedade idealizada, segundo o qual, os homens prudentes previnem-se dos males, evitando as dores antes de recorrerem aos alívios. Entretanto, em contraste com a quimera do autor, a sociedade atual atua imprudentemente ao adquirir fontes de crédito e convertendo-os em bens de consumo insustentáveis e imediatistas, uma vez que não foram preparados e educados a agir de maneira coerente e segura. Assim, explica-se o aumento registrado pelo Serviço de Proteção de Crédito do número de inadimplentes no Brasil, atingindo 41%.

Defronte ao que foi apresentado, cabe uma reflexão acerca de medidas capazes de implementar a educação financeira na contemporaneidade. A respeito disso, os Congressos Nacionais, por serem os órgãos responsáveis por estabelecer normas e deliberar leis, devem estabelecer pactos e firmar mudanças capazes de incluir a educação financeiras na formação estudantil. Isso pode ser feito por meio de alterações em bases curriculares comuns e de expansão do programa à outras modalidades de ensino como a modalidade noturna e à distancia. Tudo isso com o objetivo de estimular uma sociedade financeiramente estável e salvaguardar a população dos danos causados pelo desequilíbrio.