A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 17/10/2019
A crise financeira ocorrida em 1929 demonstra a dependência entre o desenvolvimento econômico do país e da sociedade, uma vez que essa derrocada ocasionou entraves tanto na vida da elite detentora do capital financeiro, como da população mais desabastada. Dessa maneira, é notório a importância do conhecimento da educação financeira, devido à instabilidade derivada dos aspectos econômicos governamentais, os quais permanecem subjugadas à corrupção sistemática e pode diminuir as garantias constitucionais da sociedade. Logo, a passividade governamental e a falta de questionamento civil podem ser considerados os obstáculos para a ascensão da educação financeira.
Diante desse cenário, cabe abordar o papel do Poder Público nos entraves à educação financeira da população. Nesse sentido, durante a República Velha, no século XX, o coronelismo tornou-se uma constante no meio social, já que fiscalizava o comportamento da parcela social detentora do direito eleitoral, a fim de originar benefícios sinérgicos para os particulares, bem como para a esfera governamental. Acerca dessa premissa, pode-se traçar um paralelo com a falta de investimentos na educação financeira, tendo em vista que tal conjuntura proporciona conhecimento crítico sobre as finanças individuais e questionamentos sobre a atuação governamental, restringindo, assim, o desvio de verbas característico da corrupção e enriquecimento contínuo dos políticos brasileiros.
Por conseguinte, é válido salientar a falta de comprometimento da sociedade frente à educação financeira. Nessa perspectiva, o sociólogo Emile Durkheim já afirmava que a globalização proporciona a preferência dos indivíduos em investir nos bens de consumos e nas conquistas individuais, o que pode gerar mazelas psicossociais irreversíveis. Tal conjuntura, nos dias atuais, pode ser representada pelo avanço das moedas virtuais e ‘‘Bitcoins’’, uma vez que proporciona a bolha ilusória de crescimento econômico e leva os indivíduos a investir, muitas vezes o capital destinado ao pagamento de outras necessidades, para essa nova demanda tecnológica. No entanto, devido à falta de órgãos reguladores, tal medida acarreta riscos, a exemplo da perca dos investimentos sem o retorno esperado.
Portanto, é necessário que haja um esforço contínuo federativo em busca da educação financeira. Diante disso, cabe ao Governo, em parceria com o Ministério da Educação e Cultura (MEC), promover o conhecimento dos jovens sobre os entraves econômicos que poderão surgir na fase adulta, por meio de investimentos no Projeto Sementes, que possuí a finalidade de educar criticamente e promover o senso crítico das crianças, com o objetivo de formar adultos proativos. Além disso, cabe à mídia, através de campanhas informativas, debater sobre a educação financeira para que, assim, os resultados vivenciados na crise de 1929 não atinjam mais a atual e a futura geração.