A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 17/10/2019
Em 1929, os Estados Unidos enfrentaram a mais grave crise econômica de sua história, por conta do “crash” da bolsa de valores de Nova York, a qual afetou as principais economias de todo o globo. Todavia, hodiernamente observa-se que a população, sobretudo a brasileira, não aprendeu com as marcas deixadas na história mundial, ao negar-se a dar a devida importância à educação financeira. Com efeito, a inoperância estatal no estímulo ao debate do assunto na esfera escolar e a omissão social no uso consciente do dinheiro, configuram-se como entraves para a resolução do problema.
Em primeira análise, nota-se o descaso do Estado no que tange ao fomento da educação financeira no ensino básico. Segundo a óptica filosófica de São Tomás de Aquino, todos os cidadãos são iguais em direitos e dignos da mesma importância. Contudo, a prática deturpa a teoria, visto que a malha brasileira carece de investimentos em disciplinas nas séries iniciais do ensino básico, para a abordagem racional do uso do dinheiro e do investimento desse bem. Em consequência disso, gera-se adultos menos conscientes de seu poder de compra, o que acarreta no endividamento dos indivíduos, ao ponto de atingir a marca de quase metade da população adulta brasileira, em 2018, conforme dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC).
De outra parte, percebe-se a indiferença da sociedade no que se refere ao usufruto cuidadoso dos seus ganhos advindos do trabalho. De acordo com o sociólogo francês Pierre Bourdieu, em sua Teoria do Habitus, o corpo social possui padrões que são impostos, naturalizados e, posteriormente, reproduzidos. Sob esse viés, depreende-se que a coletividade, ao longo do tempo, criou uma “cultura do consumo”, cuja estrutura baseia-se no consumismo exacerbado, sem a preocupação com dívidas ou a real necessidade da compra. Por conseguinte, vê-se o aumento alarmante do número de pessoas com pendências bancárias pelo uso de cartões de crédito, por exemplo. Destarte, medidas enérgicas são necessárias para se alterar essa “padronização” proposta por Bourdieu.
Nesse cenário, portanto, é vital a modificação do quadro de utilização indiscriminada do dinheiro no Brasil. Para tanto, o Tribunal de Contas da União deve elevar o percentual de verbas que, por intermédio do Ministério da Educação, serão revertidas na implantação da disciplina de educação financeira nas séries do ensino fundamental (ministrada por professores especialistas em gestão financeira), com o intuito de formar adultos cientes de seu papel econômico-social, a fim de garantir o previsto em Lei. Ao mesmo tempo, cabe às Prefeituras, aliadas às ONGs, a realização de palestras e mesas-redondas em centros culturais, com vistas a alertar a massa acerca da responsabilidade do uso de seu patrimônio. Assim, males como o “crash” de Nova York ficariam no passado.