A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 18/10/2019
Em um dos episódios do programa “Globo Repórter”, foi abordada a história de alguns ganhadores da Mega Sena que gastaram toda a sua premiação e hoje se encontram em estado de debilidade social. Não muito diferente do presente caso, problemas com saúde financeira tem sido uma realidade para boa parte da sociedade brasileira. Esse cenário antagônico é fruto tanto da falta de atenção do ensino regular na área de educação financeira quanto à ausência de políticas públicas de conscientização. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
De modo precípuo, é central pontuar que o currículo escolar não tem dado a devida importância ao assunto. Segundo o estadista Nelson Mandela “a educação é a arma mais poderosa que podemos usar para mudar o mundo”. Entretanto, o ensino não tem sido utilizado de forma eficaz com relação às finanças. Isso pode ser evidenciado nos parâmetros curriculares nacionais, os quais citam matemática financeira apenas como um estudo conceitual (sobre juros, capital, montante, etc), não adentrando às questões mais cotidianas sobre o tema, como planejamento financeiro familiar e de investimentos. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Outrossim, é imperativo ressaltar que a falta de políticas públicas de conscientização econômica têm levado muitas familias a se endividarem mais do que podem. De acordo com um estudo da Universidade de Oxford em 2016, pela pesquisadora Rebecca Firestone, identificou-se que campanhas de interesse público tem atingido índices acima de 80% de eficácia a nível mundial. Partindo desse pressuposto, a não utilização de recursos publicitários tem levado a manutenção da ignorância do cidadão em relação à sua praxis financeira. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que a omissão pública do presente aspecto contribui para a perpetuação desse quadro deletério.
Em suma, medidas exequíveis são necessárias para mitigar o óbice. Cabe ao Congresso Nacional propor uma modificação na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (ou Lei Federal 9394/96), através do trâmite de alterações legislativas definido na lei complementar 95/98, de forma a incluir na educação básica o ensino sistemático sobre educação financeira. O intuito seria de preparar os jovens para saberem lidar com sua renda. Ademais, cabe ao Poder Executivo Federal promover campanhas publicitárias de conscientização, conforme os moldes regulamentares da lei Federal 12232/10, que versa sobre normas de contratação de agências publicitárias pelo governo. A finalidade seria auxiliar as familias a saberem se planejar em assuntos financeiros cotidianos. Dessa forma, atenuar-se-á o problema, e não teremos mais problemas como aqueles mostrados no “Globo Repórter”.