A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 18/10/2019
É inegável que ensino público de qualidade é o principal instrumento capaz de promover certa igualdade de oportunidades numa sociedade supostamente meritocrática. No entanto, o que se observam, na prática, são graves lacunas nesse processo, como no caso deficitário da educação financeira, fundamental para uma vida mais feliz e equilibrada, mas que persiste provocando severos danos à saúde monetária dos brasileiros.
Em primeiro plano, a falta de interesse em desenvolver o conhecimento de educação financeira no ensino público por grande parte dos atores do sistema econômico vigente, financiadores de campanhas políticas, é fator que sustenta o problema. A despeito do aumento gradativo da inadimplência, nos últimos anos, o lucro dos bancos que detêm as maiores participações de mercado continua crescendo. Sob esse viés, temas que possam prejudicar a atual dinâmica econômica dificilmente encontram espaço na pauta política, perpetuando-se uma situação que levou ao recorde histórico de 63 milhões de inadimplentes, segundo dados do portal Serasa Experian referentes a março de 2019.
Paralelamente a essa dimensão político-econômica, quando o filósofo Lev Vigotski afirma que a escola não deve se distanciar dos aspectos da vida social de seus participantes, corrobora-se a necessidade de eixos como a educação financeira serem desenvolvidos de forma interdisciplinar nas instituições de ensino. Embora muito se tenha evoluído, esse tema não é devidamente abordado visando a prática cotidiana, ficando por vezes isolado como mais um conteúdo do campo da matemática. Dessa forma, indivíduos pouco críticos, sobretudo quanto à adequação de sua capacidade econômica ao seu padrão de consumo, permanecem em um círculo pernicioso em que tomam empréstimos para quitar dívidas e, assim, sucessivamente.
Portanto, o Poder Executivo Federal, representado pelo Ministério da Cidadania, tendo o bem comum como principal objetivo, deve oferecer, em parceria com os Centros de Assistência Social, assessoria financeira gratuita para a parcela da população com graves problemas financeiros, de modo a garantir, no longo prazo, a satisfação de suas necessidades básicas. Outrossim, o Ministério da Educação deve instituir a disciplina de educação financeira como parâmetro curricular nacional obrigatório, não apenas no ensino fundamental, mas também ao longo do ensino médio, promovendo rodas de diálogo interdisciplinares. Afinal, como disse o filósofo Paulo Freire, “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”.