A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 23/10/2019

Brás Cubas, personagem de Machado de Assis, movido pela paixão platônica, atende à todos os desejos de sua amada. Contudo, o amor só durou enquanto houve dinheiro, o que demonstra a efemeridade das relações sociais. Além disso, caso Brás tivesse recebido uma adequada educação financeira, ele poderia ter consciência de seus gastos desnecessários. Fora dos livros, nota-se uma semelhança na forma como se gasta exacerbadamente a moeda, seja por escolhas pessoais ou por padrões sociais vigentes. Cabe-se, então, apontar a relevância da educação financeira no cotidiano.

Em uma primeira análise, a busca pela sensação de prazer faz com que o indivíduo cometa ações sem pensar. Nesse panorama, o aumento das compras e o gasto de dinheiro desnecessário são reflexos de uma sociedade moderna que precisa preencher seu vazio interno por meio de novas aquisições. Schopenhauer, nesse sentido, afirmou que o ser humano vive a base de vontades incessantes e como não consegue se satisfazer, há um constante cenário de infelicidade. Nesse sentido, a procura irremediada por alívio emocional possibilita o irresponsável meio de se cuidar da renda financeira através das compras. Sendo assim, percebe-se que a educação seria o modo  adequado de prevenir atitudes impulsivas que possam vir a gerar novas dívidas desnecessárias.

Ademais, vale, ainda, ressaltar que a padronização da sociedade influência nos gastos do cotidiano. Isso não se evidencia apenas pelo aumento nas cirurgias plásticas, mas também no desejo de possuir sempre o produto recém lançado. Sob essa lógica, há um aumento no preço dessas atividades, visto que, baseado na ideia de “procura e oferta”, as pessoas continuam utilizando seu dinheiro para garantir o acesso a esses recursos. Nesse viés, a massificação de uma homogeneidade na cultura permite que as indústrias estipulem o preço do produto e as pessoas inconscientemente arquem com o custo.

Torna-se evidente, portanto, que não apenas Brás Cubas gastava seu dinheiro de maneira irresponsável, uma vez que esse comportamento está intrínseco na sociedade atual. Para reverter esse quadro, é preciso investir na raiz do problema por meio da educação financeira. É preciso que o Ministério da Educação faça, em parceria com as grandes emissoras televisivas, a oferta de curtos vídeos, durante os intervalos dos programas, sobre dicas de como se gastar conscientemente o dinheiro para os adultos. Por meio da contratação de professores especialistas no assunto que possam explicar de maneira resumida como atingir o objetivo financeiro da família. Além disso, no caso das crianças, é preciso garantir a implementação das aulas sobre o dinheiro nas escolas a partir de 2020, para que haja a mudança, desde o início, na vida dessas pessoas, como é feito com a educação ambiental. Espera-se, assim, que as pessoas se tornem conscientes e cuidem de seu patrimônio.