A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 18/10/2019

No livro “Os donos do poder”, o sociólogo Raymundo Faoro descreve, com  base nas teorias de Max Weber, como a formação do estado patrimonialista -herança da colonização portuguesa- contribui de forma negativa na origem de impasses sociais. Analogamente, hoje Faoro perceberia acertada sua tese em razão da deficiência na educação financeira do Brasil,uma realidade que reflete negativamente no âmbito social, tanto pela postura irracional dos brasileiros, quanto pela ausência do incentivo governamental. Portanto, cabe avaliar os reflexos que comportam esse quadro.

No cenário atual que comporta a evolução tecnológica, a sociedade se encontra anexada a uma posição de constantes transformações, inclusive, disposta a adaptar-se a elas. Porém, o mesmo não se vê quando se trata da educação financeira, a qual atrelada à postura irracional de muitos brasileiros, encontra espaço para sua inserção no corpo social.Segundo SPC ( Serviço de Proteção Social), mais de 80% da população faz compras sem planejamento como também não possuem investimento fixo. Diante do exposto, torna-se indiscutível a indisposição social em detrimento do assunto, um cenário que poderia estar longe do panorama brasileiro se tal postura fosse revertida.

Faz-se mister, ainda, salientar,a ausência do poder governamental como outro fator agravante. Consoante o escritor Darcy Ribeiro, o Brasil, último país a acaba com a escravidão tem uma perversidade intrínseca em sua herança que torna a nossa classe dominante enferma de desigualdade e descaso. Sob a óptica desse pensamento, é notório que a perpetuação do problema é intensificada por essa “enfermidade” que configura-se no descaso, visto que o mesmo impede que investimentos estatais sejam destinados à conjuntura da educação, possibilitando a progressão do entrave.

Infere-se, portanto, que medidas sejam pensadas e postas em prática para o combate dessa atual problemática. Dessa maneira, urge que a esfera estadual, em parceria com o Ministério da educação social (MEC), formule, financie e promova projetos de cunho educativo, através de sua implementação na grade curricular de ensino fundamental e médio, público ou privado, que discorram sobre a importância de administrar as finanças com responsabilidade e seu posterior impacto positivo, com o fito de construir uma sociedade bem discernida. A partir dessas ações, apraz que um dos impasses originados segundo Faoro e Darcy, pelo estado patrimonialista, seja eliminado da lista de problemas sociais do Brasil.