A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 23/10/2019
De acordo com André Malraux, foi a cultura que possibilitou que o homem fosse menos escravizado. Sob tal ótica, percebe-se que, em um cenário de crise econômica, se o brasileiro tivesse enraizado em seus costumes o gerenciamento adequado do dinheiro, poderia ser menos dominado pelas dificuldades financeiras. Fica claro, portanto, a necessidade de ensinar a sociedade sobre administração de finanças, a fim de diminuir as consequências do endividamento do povo tupiniquim. Primeiramente, cabe destacar a importância da educação financeira, não apenas para o indivíduo mas também para o país. O ensino do consumo e investimento inteligente e consciente, principalmente quando feito para crianças e jovens que estão formando seus hábitos, é fundamental para que os futuros adultos saibam como diminuir despesas, aumentar ganhos e investir para acumular riquezas. Também, o incentivo à criatividade para gerar lucro pode ser motor para a criação de novos ramos de negócios e empregos. Tudo isso, além de melhorar a vida financeira dos brasileiros, poderia trazer progressos para a economia do país e diminuir a concentração de renda que, segundo o IBGE, é a maior desde o ano de 2012.
Contudo, no Brasil, o que acontece é o oposto. Além de a mídia ser grande promotora do consumismo por meio da propaganda de estilos de vida luxuosos, as escolas não têm uma matéria sobre educação financeira e as famílias, frequentemente, preferem mimar seus filhos com dinheiro ou objetos a ensinar como administrar uma mesada controlada. Sem educação financeira e com estímulos ao uso indevido do dinheiro, forma-se adultos com hábitos de consumo desenfreado e que investem em bens que não darão retorno. Esses fatores, além de explicarem o porquê, segundo os dados do Serviço de Proteção ao Crédito, mais de 60 milhões de brasileiros estão endividados ou com o “nome sujo”, prejudica o bem-estar do indivíduo e a economia.
Faz-se urgente, então, medidas que tragam a educação financeira para a vida do povo tupiniquim. Antes de tudo, a mídia, como formadora de hábitos e opiniões, em parceria com o Ministério da Educação, deve conscientizar a população sobre hábitos de consumo e ensinar maneiras de investir o dinheiro para gerar retorno, e isso pode ser feito por meio de debates em talk shows, matérias em programas televisivos de grande audiência e distribuição de cartilhas em escolas e universidades, formando cidadãos mais conscientes e informados sobre o tema. Por fim, o Governo deve implementar o mais rápido o possível a educação de finanças nas escolas, garantindo que todos tenham, desde a tenra idade, o conhecimento de como gerir seu dinheiro. Com uma cultura de boa administração financeira, o brasileiro poderá deixar de ser escravo de suas dívidas, consoante a ideia de Malraux.