A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 23/10/2019
De acordo com o sociólogo francês Émile Durkheim, a educação desempenha o papel de transmitir regras de comportamento social, transformando-as em hábitos, seja através da educação familiar ou escolar, Paralelamente, observa-se, na sociedade contemporânea, uma grande lacuna no que diz respeito à educação financeira do cidadão brasileiro. Esse cenário antagônico é fruto tanto da globalização em ritmo acelerado, quanto da indústria cultural, relacionada à produção em massa. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Em primeiro lugar, é importante destacar que, em função do crescente processo de globalização que eclodiu com o término da Guerra Fria e teve sua maquinaria alimentada sob jugo do capitalismo comercial, o cidadão de países subdesenvolvidos viu seu poder de compra ampliado em meio à créditos e empréstimos bancários. Contudo, essa ilusória sensação de poder monetário, tem sua dimensão limitada perante o endividamento, consequência da falta de planejamento financeiro que se tornou evidente em grande parte da nação. Em pesquisa divulgada pela Confederação Nacional de Comércio de Bens, Serviços e Turismo, 62,7% das famílias brasileiras estão endividadas. Mediante esse cenário, fica claro que a educação financeira faz-se imprescindível para contornar essa realidade.
Por conseguinte, presencia-se um forte apelo da indústria cultural, tema amplamente discutido por filósofos da Escola de Frankfurt, como Adorno e Horkheimer. Para esses pensadores, a indústria capitalista evoca perda de senso crítico e consumo impulsivo. Através da manipulação do público alvo, com a finalidade de alcançar altos lucros, gera alienação entre os consumidores de uma sociedade em que o ter prevalece sobre o ser. Assim, a exteriorização de comportamentos constatada por Durkheim em seus estudos, leva à disseminação da má gestão financeira que deve ser combatida para uma melhor qualidade de vida coletiva.
Portanto, é mister que o Estado tome providencias para amenizar o quadro atual. Para a conscientização da população acerca da gerência de seus recursos financeiros, urge que o Ministério da Educação e Cultura (MEC) crie, por meio de verbas governamentais, campanhas nas redes sociais e demais canais midiáticos, que proporcionem à informação sobre finanças e advirtam sobre os riscos do consumismo, sugerindo o planejamento individual de sua renda, bem como sugestões para economizar na hora das compras. Somente assim, a educação financeira tornar-se-á um hábito consolidado na sociedade brasileira e e ajudará a população a sair do vermelho.