A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 24/10/2019

Adam Smith, na obra “A Riqueza das Nações”, diz que o papel da educação é orientar a presunção para o caminho certo. Tal pensamento reflete o comportamento das pessoas que, quando possuem conhecimento financeiro, estão mais aptas a administrarem seus recursos e tomarem decisões precisas de âmbito econômico. Entretanto, embora esse tipo de educação seja importante, percebe-se que ainda não é uma prioridade, tendo em vista que o quantitativo de inadimplentes é cada vez maior. Pode-se dizer, então, que a inércia da faceta educacional é a principal responsável por esse quadro.

Em primeiro plano, é valido reconhecer como a instrução financeira é capaz de direcionar a conduta  e possibilitar o progresso material dos indivíduos. Em um contexto capitalista, em que os interesses são guiados pelo acúmulo de bens e a obtenção de lucro, a administração de gastos e a consciência sobre a eficácia das decisões é essencial para que as pessoas saibam se comportar tanto diante da impulsividade consumista, como também na escolha de investimentos. Acerca disso, é pertinente trazer o discurso do filósofo Paulo freire, no qual sugere que só a educação é apta a mudar a sociedade, uma vez que o censo crítico e o suporte dado por informações confiáveis facilitam tal comportamento. Tendo em vista a eficiência do conhecimento para essa conjuntura, é evidente que a falta de prioridade enfrentada pode gerar inúmeras consequências para a vida do cidadão.

Isso porque, a negligência da esfera educacional faz com que as pessoas se tornem externas as suas próprias decisões. Consoante ao pensamento do filósofo Immanuel Kant, em que o ser humano é o que a educação faz dele, a falta dessa abordagem nas escolas de nível básico faz com que as crianças se transformem em adultos inconscientes e vulneráveis às persuasões do comércio, ao endividamento e à atitudes equivocadas como as más aplicações. Em consequência disso, a inadimplência surge como um dos maiores efeitos, haja vista que, segundo o Serviço de Proteção ao Crédito, cerca de 60 milhões de brasileiros se encontram em tal situação. Constata-se, assim, a necessidade de reavaliar o papel dessa instituição para conter os efeitos da falta de instrução da sociedade.

Depreende-se, portanto, que a educação financeira é fundamental para a conduta do indivíduo no cenário capitalista. Nesse aspecto, urge que o Ministério da Educação se preocupe em fornecer um ensino correspondente ao contexto atual, mediante a atualização da grade curricular com a criação de disciplinas que envolvam a ciência econômica, a fim de que as escolas formem jovens conscientes e aptos a tomarem decisões precisas. Com isso, será possível diminuir o quantitativo de endividados, assim como a capacitação dos indivíduos parar gerir seus próprios bens e manter suas respectivas estabilidades seguindo o caminho certo, tal como pressupõe Adam Smith.