A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 27/10/2019
“Eu vejo, eu gosto, eu quero, eu compro”, entoa a cantora Ariana Grande em sua música “7 rings”. Na senda desses versos, hodiernamente, muitos brasileiros se portam como a cantora e, pela falta de planejamento, acabam realizando transações financeiras com as quais não podem arcar. Ademais, questões como a hipermodernidade e o acesso não democrático à educação estão intrínsecos à problemática. Logo, a educação financeira se mostra de suma importância na vida do cidadão pós-moderno.
A priori, para o filósofo francês Gilles Lipovetsky, vivemos, hoje, na hipermodernidade, trata-se do período da história em que as mudanças ocorrem em ritmo quase esquizofrênico e em que tudo é elevado à potência máxima. Uma das principais características dessa nova realidade é o hiperconsumo, uma nova forma de consumir que leva ao luxo desmensurado. Assim, os altos índices de inadimplência no Brasil - segundo o Sistema de Proteção ao Crédito mais de 40% da população economicamente ativa está com o CPF negativado - são reflexos desse hiperconsumo. Desse modo, a falta de planeamento financeiro leva a população a consumir demais e a, consequentemente, endividar-se.
A posteriori, de acordo com o literato uruguaiano Eduardo Galeano e sua obra “Veias Abertas da América Latina”, para mudar a realidade é preciso primeiramente conhecê-la. Consoante esse pensamento, a falta de organização financeira da nação se mostra fruto do acesso não democrático à educação, que faz com que os indivíduos gastem desmensuradamente por não ter conhecimento crítico sobre suas finanças pessoais. Por isso, enquanto o conhecimento no país não for ofertado de modo a diminuir as desigualdades no acesso à informação, o problema não será extirpado da realidade brasileira.
Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para que a educação financeira seja devidamente inserida na realidade do Brasil. Dessa maneira, a escola, formadora de cidadãos, deve promover aulas e palestras expositivas que tenham como objetivo ensinar os alunos a lidar com o dinheiro e consumir apenas o que é necessário, a fim de engendrar cidadãos mais críticos com relação ao consumismo. Ademais, o Estado, cuja função consiste no serviço à população, cabe a função de democratizar a educação financeira, fazendo isso por meio de eventos - com a participação de economistas - em áreas carentes de educação, que exponham ao povo a como se planejar financeiramente e também os ajude a desenvolver planilhas de gasto pessoal, com objetivo de diminuir as discrepâncias educacionais e os altos índices de inadimplência. Somente assim, os brasileiros serão cada vez mais críticos com as finanças e cada vez menos como Grande.