A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 26/10/2019

Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa a errônea maneira como o cidadão brasileiro administra suas finanças, hodiernamente, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país. Nesse sentido, cabe a análise acerca de causas, consequências e possível solução da problemática.

Em primeiro lugar, a educação é o fator principal ara o desenvolvimento de um país. Ocupando a nona posição na economia mundial, seria racional acreditar que o Brasil possui um sistema público de ensino eficiente. Contudo, a realidade é justamente o oposto. Segundo dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), 62,6 milhões de brasileiros terminaram 2018 endividados, sendo a maior parcela contida de jovens com idades entre 18 e 24 anos. Diante do exposto, faz-se necessário a abordagem de temas relacionados à educação financeira nas  instituições de ensino.

Em segundo lugar, é imperativo ressaltar que a inexperiência dos mais jovens em relação ao gerenciamento de finanças pessoais é um impulsionador do problema. Em estudo realizado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) em 2015, foi constatado que a maioria dos brasileiros de 15 anos não possuem conhecimentos básicos de finanças. Devido à idade pequena e à irresponsabilidade que quase sempre a acompanha, aumentam as chances de essas pessoas chegarem à fase adulta em situação de inadimplência.

Tendo em visa a problemática debatida, fica evidente que medidas devem ser tomadas. Como já dito pelo pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo. Logo, o Ministério da Educação (MEC) deve instituir, nas escolas de todos os níveis (fundamental, médio e superior), palestras ministradas por psicólogos e profissionais do ramo financeiro, que discutam a importância do desenvolvimento da educação financeira, tornando possível que os jovens desenvolvam, desde cedo, o hábito de gerenciar o próprio de dinheiro de maneira eficiente. Ademais, o TCU (Tribunal de Contas da União) deve direcionar capital público para o Ministério de Telecomunicações que, em parceria com emissoras de TV, deverão produzir avisos informativos com o intuito de educar a população a respeito da inteligência financeira. Só assim, o crescimento descontrolado do número de inadimplentes será solucionado e o Brasil terá mais cidadãos financeiramente responsáveis.