A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 28/10/2019
Segundo o filósofo francês Guy Debord, em sua obra “A sociedade do espetáculo”, a mercadoria, após a Revolução Industrial, começou a tomar a vida social. Nesse contexto, o avanço das relações capitalistas, com os produtos, provocou um aumento na relevância da relação do cidadão com o dinheiro, a qual tornou importante a educação financeira. Dessa forma, é necessário que esse ensino seja incentivado por benefícios, tanto individuais como coletivos.
Em primeiro lugar, cabe destacar que essa educação interfere diretamente na qualidade de vida das pessoas. Para elucidar essa ideia, cabe destacar uma das reflexões do sociólogo Zygmunt Bauman, em seu livro “44 cartas do mundo líquido moderno”: a desigualdade social influencia diretamente na dispersão e na intensidade dos males. De modo análogo, as classes sociais que não possuem acesso às informações sobre planejamento financeiro ficam desamparadas e mais suscetíveis a problemas decorrentes dessa falta de conhecimento, como destaca reportagem do site “G1”: mais de 60% dos inadimplentes desenvolve depressão. Ou seja, a instrução de como utilizar as economias, auxilia parte da população a diminuir a segregação econômica e, assim, melhorar suas condições de vida.
Em segundo lugar, vale ressaltar que gastos bem planejados contribuem para um alavancamento da economia. Para compreender esse aspecto, é possível pontuar o que fala o professor de Harvard Steven Pinker no “O novo iluminismo”: “o progresso não resulta de magia, mas da resolução de problemas”. Nesse sentido, para o crescimento econômico é indispensável que os indivíduos possuam um amplo controle financeiro e, desse modo, participem ativamente na rotatividade de capital: com a atuação consciente da população, isto é, a realização de compras sem gerar dívidas, consegue-se um maior números de pessoas comprando mais e por mais tempo. Logo, observa-se que a educação financeira é uma característica essencial em uma sociedade bem desenvolvida.
Portanto, é urgente pensar em uma forma de difundir esse conhecimento. Para isso, as escolas - por serem as instituições responsáveis por concretizar a maior parte dos ensinamentos no desenvolvimento de crianças e adolescentes - devem criar projetos que incluam aulas de educação financeira compatíveis com o nível de entendimento dos alunos: desenvolver as noções de números e operações matemáticas simples, na educação infantil; introduzir aulas de como funciona contas em banco, uso de cartões e poupança, no ensino fundamental; falar de atividades na bolsa de valores e investimentos, no ensino médio, por exemplo. Isso pode ser feito por meio da introdução dessas aulas em uma grade curricular especial - adaptações no Projeto Pedagógico Curricular. Com efeito, os fundamentos de como funciona os mercados financeiros serão esclarecidos para a população.