A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 27/10/2019

“Sem um fim social, o saber será a maior das futilidades”. Com essa afirmação, o sociólogo Gilberto Freyre mostrou que a educação é essencial para a transformação social. Entretanto, a negligência em relação à educação financeira mostra que a sociedade contemporânea não absorveu - de maneira efetiva - a tese defendida por Freyre. Com efeito, há de se analisar não só a participação do indivíduo, mas também a atuação do Estado nesse contexto.

A princípio, vale ressaltar que o cidadão é carente de orientação relacionada a finanças. A esse respeito, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, em 2015, divulgou que a maioria dos jovens no Brasil não possuíam informações básicas sobre recursos financeiros. Nesse sentido, esse problema torna-se um obstáculo e inviabiliza, conforme apresentado pela OCDE, a participação do indivíduo na sociedade. Dessa forma, não é viável falar em cidadania - de forma plena - quando ainda vivemos em amplo contexto de exclusão.

Sob outra análise, o Governo intensifica essa vulnerabilidade quando deixa de atuar ativamente na promoção da educação financeira. Nesse viés, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2019, informou que há cerca de 13 milhões de brasileiros desempregados. Ademais, nos anos de 2017 e 2018, aproximadamente 60 milhões estavam negativados em sistemas de proteção de crédito. Assim, o Estado não pode - ou não deveria - ficar inerte aos índices relatados pelo IBGE, ou seja, essa indiferença amplifica a falta de oportunidades e prejudica os indivíduos.

O conhecimento sobre finanças, portanto, precisa ser inserido adequadamente no Brasil. Sendo assim, o Governo, com auxílio do Ministério da Educação, deve ampliar o orçamento destinado à Política de educação Financeira, por meio de uma Emenda Constitucional. Assim, será possível ampliar as ações - palestras, cursos, oficinas, treinamentos - para todos os municípios. Com isso, seria desconstruída a omissão do Estado e a educação alcançaria o “fim social” proposto por Freyre.