A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 28/10/2019

No contexto de Pós- Revolução Industrial, o Brasil e o mundo vivenciaram a emergência do modo de produção capitalista, na qual as relações sociais são baseadas em trocas comerciais e busca por lucratividade. Entretanto, na conjuntura brasileira, tal sistema econômico fora implantado sem planejamento prévio que, por sua vez, propiciou lacunas no que tange a educação financeira para os cidadãos e sua importância. Dessa forma, a ausência de intervenção estatal na formação de instrução financeira torna-se geradora de adultos endividados e produtores de déficit na economia do país.

Em primeiro lugar, destaca-se a ausência de políticas públicas voltadas para a educação financeira nas escolas do país, uma vez que essa pauta não está inserida na grade curricular. Contudo, de acordo com a teoria do Contrato Social de John Locke, o indivíduo abdicaria de sua liberdade para que o Estado garantisse a ele direitos, considerados, pelo filósofo em questão, inalienáveis e inerentes ao homem, dentre eles a dignidade, que decorrente da falta de instrução financeira, é ferida, pois, de acordo com o IBGE mais de sessenta e dois milhões de brasileiros encontram-se inadimplentes com órgãos como o SPC/SERASA.

Por conseguinte, observa-se que a privação do direito à educação financeira forma adultos endividados geradores de estagnação econômica e déficit na balança comercial do país, haja vista que de acordo com o sociólogo Émille Durkheim, a sociedade funciona como um organismo vivo onde existem o indivíduo e as instituições sociais modeladores dele, entre elas destacam-se a família (principal afetada pela má gestão dos recursos pessoais) e a escola enquanto formadoras do cidadão. Dessa maneira, é imprescindível essa parceria para que as lacunas da educação financeira sejam preenchidas.

Portanto, o MEC deve inserir essa temática na grade curricular dos discentes, principalmente durante o ensino médio quando esses estão próximos de completarem a maioridade e entrarem para o mercado de trabalho, por meio de projetos que visem o ensino do controle pessoal das finanças e a matemática financeira aplicada ao mercado. Ademais, essas palestras devem ocorrer semanalmente, abertas a comunidade e em horários alternados para garantir a maior participação familiar e comunitária possível, a fim de expandir a educação financeira e, aos poucos, formar cidadãos conscientes e aptos a administrarem seus recursos e diminuir o percentual de inadimplentes no pais. Somente assim, o Estado aliado às instituições família e escola, contribuirá para a manutenção do direito de dignidade brasileira, preenchendo lacunas na educação financeira individual e contribuindo para o superávit da economia social como um todo.