A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 30/10/2019
Em seu livro, “Pai Rico, Pai Pobre”, Robert Kiyosaki, empresário multimilionário, revela a importância que o ensino paterno acerca do dinheiro teve na construção da sua personalidade e do seu entendimento sobre negócios. No Brasil, no entanto, noções básicas de economia e negócios são manifestadas apenas em um baixíssimo número de pessoas, impedindo o desenvolvimento nos jovens do interesse no mundo financeiro. Assim sendo, deve-se buscar a análise de tal fenômeno, ligado principalmente a questão histórica de desenvolvimento do caráter societário atual, e propor soluções para sua problemática.
É indubitável que a questão do aculturamento da classe média brasileira promovido pelas elites está entre as causas do problema. Desde os tempos de colônia, o Brasil vem presenciando a permanência constante da mesma elite fundiária no poder, raramente havendo alguma mobilidade hierárquica em tal sistema. Essa acomodação da população mais pobre promoveu, ao longo do tempo, a descrença em sua possibilidade de crescimento econômico e, como afirma Max Weber, incitou o surgimento de uma “consciência de classe” baseada na impossibilidade de subversão do sistema. Desse modo, as gerações posteriores possuíram cada vez menos acesso às noções básicas de finanças, se adaptando ao padrão atual de consumismo irracional, formando uma classe média sem grandes aspirações econômicas .
A cultura capitalista em que se observa a inserção da sociedade atual induz principalmente ao “trabalho como dignificante do homem” o que, de acordo com Weber, representa a alienação de toda uma classe. Jovens inseridos em tal sistema não possuem acesso aos meios de enriquecimento material pois sua principal influência, a paternal, repassa os valores do trabalho como os únicos realmente úteis, por isso as novas gerações possuem problemas recorrentes com dívidas e gastos desnecessários. A reeducação financeira permite a ampliação das noções dos jovens acerca do dinheiro, rompendo com o antigo ciclo de consumismo exacerbado, que permanece desde o advento da revolução industrial.
Infere-se, portanto, que a disseminação do ensino das finanças é um bem tanto para a economia quanto para a sociedade brasileira. Assim sendo, cabe ao Ministério da Educação inserir na Grade Comum Curricular conteúdos referentes ao manejo do dinheiro, adaptando matérias como a Matemática e Sociologia para tratar de assuntos referentes à economia, tanto doméstica quanto internacional, possibilitando um entendimento amplo dos alunos acerca do papel do dinheiro no mundo globalizado. Ainda, cabe à instituição familiar permitir o acesso das crianças desde a mais tenra idade ao ambiente de discussão de contas e finanças domésticas, explicando conceitos básicos como juros e dívidas aos pequenos. Assim, poder-se-á transformar o Brasil em um país desenvolvido socialmente, permitindo o crescimento de gerações muito mais esclarecidas em terras tupiniquins, como a de Robert Kiyosaki.