A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 01/11/2019

Segundo o conceito de “Banalidade do Mal”, da filósofa alemã Hannah Arendt, o mal torna-se ago banal quando é admitido, acima da ética, pela sociedade na qual está inserido. Nessa perspectiva, ao se analisar à questão do endividamento de jovens, percebe-se que o pensamento de Hannah está intrinsecamente ligado aos problemas do século XXI. Esse cenário antagônico é fruto tanto da falta de políticas eficientes, quanto dos altos juros cobrados nos bancos. Diante disso torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento social.

Antes de tudo, é fulcral pontuar que o excesso de inadimplentes deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população. Entretanto, isso não ocorre no Brasil, devido à falta de ação das autoridades, na implementação da educação financeira nas escolas. Em Consequência disso, o indivíduo entra na vida adulta, sem o conhecimento necessário para lidar com o dinheiro e, ao ter o primeiro emprego, vislumbra-se com propagandas, nas quais  levam-o a gastar mais do que ganha, sem pensamentos futuros, e assim, adquirir dívidas que não possa pagar. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, é imperativo ressaltar a falta de ética dos bancários como promotor do problema. Conforme o sociólogo alemão Ralf Dahrendorf no livro “A lei e a ordem”, a anomia é a condição social em que as normas reguladoras do comportamento das pessoas perdem sua validade. De forma análoga,  nota-se que as leis que regulamentam os contratos na economia encontram se em estado de anomia, pelo fato de serem infringidas, constantemente, pelos bancos. Com base nisso, os bancos utilizam meios de ludibriar o consumidor com promessas de dinheiro rápido, sem que seja revelado todos os juros incluídos nesse contrato, o que leva a contratar produtos com juros absurdos. Tudo isso, retarda a resolução do empecilho, já que a falta de ética contribui para esse quadro deletério.

Portanto, é possível defender que medidas políticas e econômicas constituem desafios a se superar. Dessarte, necessita-se, urgentemente, que o Poder Legislativo, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social, proporcione a criação de leis, a serem aprovadas pelo Senado, que obriguem nas escolas a inclusão no currículo escolar da matéria educação financeira, que devem ser ministradas por economistas, que ensinem desde cedo a como se usar o dinheiro, para que jovens tenham conhecimento necessário e, assim, possam contestar juros e valores antes da realização de algum contrato com o banco. Dessa maneira, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da inadimplência de jovens e a coletividade contornará a “Banalidade do Mal” sugerido por Arendt.