A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 27/12/2019
No famoso século das luzes, Adam Smith escreve o livro “A Riqueza das Nações”, no qual aborda sua preocupação com a desvalorização dos salários e a consequente falta de informação para administração monetária. Mesmo após três séculos, tal pensamento não tornou-se obsoleto, visto que diversas crises econômicas assolam os países, que em sua maioria são desprovidos de educação financeira, fator responsável para que essas instabilidades se estendam por maiores períodos de tempo, afetando diversos setores da sociedade.
A priori, é válido ressaltar que o óbice da problemática situa-se nos problemas econômicos do país, que desestabilizam a população como um todo, em razão da escassez de conhecimento sobre o assunto. Nesse contexto, citada pelo geógrafo Milton Santos, a globalização estimula o consumo desenfreado e transforma-se em um mecanismo de acúmulo de dívida, devido a discrepância entre o ciclo de compra imposto e as dificuldades de administração monetária apresentada pelas populações. Desse modo, a sociedade globalizada auxilia a permanência de uma situação econômica negativa, pois as pessoas não sabem como controlar gastos, poupar e promover rendimento de suas remunerações, e assim, obriga a redução do poder de compra, o que fragiliza toda a organização capitalista na qual a sociedade foi estruturada.
Ademais, outro motivo que explicita a contribuição positiva trazida por ensinamentos sobre o capital, é a estabilidade momentânea da economia. Em exemplo, a quebra da bolsa de Nova Iorque, que resultou na crise de 1929 nos Estados Unidos, foi antecedida por um período de otimismo e grande expectativa no país. Com isso, conclui-se que, caso os indivíduos tivessem sido alertados que esse quadro era temporário, estariam prontos para enfrentar essa adversidade, pois saberiam como agir de maneira prudente com seus salários, e reduziriam os impactos negativos da crise em suas vidas.
Infere-se, portanto, a urgência de inclusão da educação financeira no interior da superestrutura para reduzir e preparar a sociedade para futuros imbróglios. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, em colaboração com o Ministério Público, promover a criação de uma matéria obrigatória que trate desses assuntos em todas as escolas da rede pública de ensino, durante a grade horária dos alunos, ao menos uma vez por semana, a partir do oitavo ano do ensino fundamental. Essas aulas devem abordar assuntos como a economia e a geopolítica dos países, os conceitos básicos de matemática financeira e instruções para fazer um bom uso do dinheiro. A inclusão desse tema desde a infância nas escolas, forma adultos com consciência financeira e responsáveis, inibindo as inseguranças de Adam Smith da sociedade. Tais medidas visam driblar o impasse precisamente.