A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 14/01/2020
O capitalismo, sistema produtivo vigente desde meados do século XV, configurou o mundo a partir da premissa básica do lucro, por meio de processos de alienação de massas. Alienar as massas infere, entretanto, em deixar grande parcela produtiva da população sem acesso ao conhecimento, à educação financeira, tão necessária ao autocontrole e organização pessoal. O déficit de educação financeira, desta forma, perfaz um grave problema no país e contribui para manter uma cadeia de desigualdade, injusta, iníqua, com repercussões na vida coletiva e individual de cada brasileiro.
Em primeiro lugar, cabe destacar que os obstáculos à boa educação financeira acompanham os próprios problemas da educação no Brasil, tais como deficiências pedagógicas, má-qualidade de ensino com a total inexistência curricular do tema. A saber, não é interessante que a grande massa populacional obtenha informações sobre saúde financeira, controle de gastos, empreendedorismo, uma vez que tal fato vai de encontro às forças do sistema que lucram com o desconhecimento. Nesse ínterim, Foucault afirma que a manutenção das estruturas de poder depende de processos de controle e alienação, o que no contexto capitalista, significa, que para uns ganharem, outros tem que perder.
Ademais, o déficit de educação financeira alia-se à pulsão consumista da sociedade atual levando milhões ao endividamento, fato comprovado pelos números dos Serviços de Proteção ao Crédito, que em 2018, registrou 60 milhões de brasileiros com nome negativado. Tal fato pode ser entendido, desta maneira, à luz do espírito consumista do tempo, o Zeitgeist, aliado ao fetichismo pela mercadoria, de Marx, como busca utópica pela realização e felicidade, desembocando em um estado que confere mais forças a um sistema injusto e desigual. Estado que, somente pode ser quebrado, por meio do alcance de uma educação transformadora de realidades, segundo Paulo Freire.
Assim, faz-se necessária a adoção de medidas na tentativa de resolução desse quadro, como a instituição de um currículo escolar, por meio do Ministério da Educação, que envolva noções de despesas pessoais, poupança e empreendedorismo, para jovens e crianças no sentido de formar uma geração saudável e consciente financeiramente. Bem como, promover a Semana do Consumo Consciente, pelas mídias digitais e televisivas, em contraposto as semanas promocionais existentes no mercado, que ponham em pauta discussões acerca de endividamento, crédito e consumo, para que se fomente não apenas autocontrole e consciência financeira, mas que se forme uma geração educada, conhecedora e quiçá, protagonista de sua vida, trabalho e futuro.