A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 12/02/2020

Na célebre obra “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo, é possível extrair, a partir da mudança comportamental dos personagens, o quanto o meio em que o indivíduo está inserido é determinante para sua perspectiva em relação aos fatos e a sua reação a estes. Fora no mundo da literatura não é diferente, ao pensarmos na importância da educação financeira na vida do cidadão, concluímos que esse fundamental tema do mundo contemporâneo é pouco discutido no Brasil, um país que possui mais de 60 milhões de cadastros no SPC, ou seja, quase 1/4 da população tem alguma espécie de dívida pendente; assim sendo, essa falta de informações sobre o ensino das finanças é extremamente prejudicial para a uma nação com um número tão expressivo de endividados.

O filósofo inglês David Hume, em sua obra “Investigação acerca do comportamento humano” conclui que o homem, ao conhecer algum tipo de assunto, passa a se habituar a ela e retira as seus bloqueios em relação ao tema, a relação feita pode ser a de uma pessoa que odeia a matemática, segundo Hume, essa pessoa odeia essa matéria por não conhece-lá bem, geralmente o humano tem uma repulsa ao desconhecido. Acerca da educação financeira não seria diferente, o simples fato dessa temática não ser discutida rotineiramente com os cidadãos causa o desinteresse sobre esse tema que é de enorme importância, ainda mais em um país com um número tão elevado de inadimplentes.

Outrossim, é mister considerar o Art. 3º, II, da Constituição Federal de 1988 , que afirma que um dos objetivos da república é garantir o desenvolvimento nacional, contudo, não observa-se na realidade brasileira a dedicação para promover esse progresso, é incontrovertível que uma quantidade tão grande insolventes causa, nos cofres dos setores públicos, e privados, um enorme déficit financeiro, prejudicando assim o desenvolvimento nacional. Portanto, incentivar o ensino sobre as finanças é garantir uma melhora não apenas de uma pessoa, ou de uma família, mas sim de um país inteiro, que possui em sua Carta Magna a busca pelo desenvolvimento.

Destarte, conclui-se que é mister uma intervenção para incentivar a educação financeira na vida do cidadão brasileiro. Em primeiro lugar, é necessário, e extremamente produtivo, mostrar a temática econômica, e a importância do conhecimento acerca do ensino financeiro, desde a infância, em escolas públicas e privadas, mostrando para as crianças a relevância do assunto. Em segundo lugar, é preciso que o Ministério da Fazenda, promova campanhas de incentivo à educação financeira, através de palestras, eventos e propagandas em redes de televisão, jornal, rádio e internet, ademais, o governo poderia beneficiar por meio de incentivos fiscais, empresas que comprovassem o seu empenho em alavancar a educação financeira. Resolvendo com essas medidas o problema de maneira democrática.