A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 10/02/2020

A produção cinematográfica “Até que a Sorte nos Separe” retrata a história de uma família que, por não saber administrar corretamente suas finanças, perde toda a sua fortuna, atingindo a falência. De maneira análoga ao cenário descrito na narrativa ficcional, o déficit de conhecimento no tocante a educação financeira é a realidade de uma significativa parcela dos cidadãos brasileiros. Nesse contexto, convém a análise crítica acerca das principais causas e consequências do impasse para a nação tupiniquim.

A princípio, é profícuo ressaltar que o desinteresse estatal acerca do assunto contribui para a inexistência de uma consciência monetária no coletivo nacional.De acordo com o filósofo contratualista John Locke, é dever do Estado - através do Contrato Social -, garantir o total bem-estar e integridade de toda a sua população. Entretanto, ocorre que, no que concerne ao e a bem-estar monetárias, esse ideal é constatado na teoria e não, desejavelmente, na prática, haja vista que mesmo com a existência da Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF) – política pública que visa fomentar um pensamento economicamente prudente entre os cidadãos brasileiros -, o Brasil permanece liderando o ranking das piores educações financeiras mundiais, conforme dados da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).

De outra parte, é indubitável a relevância da instrução em gerenciamento pecuniário para a mudança do cenário socioeconômico da nação. A esse respeito, o economista e especialista em finanças da Universidade de São Paulo (USP), Marcos Silvestre, afirma ser o ensino monetário fundamental para o fortalecimento da cidadania, uma vez que atua promovendo o desenvolvimento do senso crítico acerca da importância de tomar decisões acertadas e conscientes sobre finanças e consumo. Dessa forma, o índice de inadimplência social será minimizado, propiciando um crescimento e melhoria em toda a economia brasileira.

É evidente, portanto, a necessidade de modificação do panorama tupiniquim a respeito da disciplina financial. Destarte, cabe a União, a promoção de minicursos e palestras gratuitas que visem instruir os indivíduos acerca das maneiras de se alcançar um consumo consciente e melhor administração do dinheiro. Cabe, ainda, a Secretaria de Comunicação Social Federal, o desenvolvimento de campanhas que visem sensibilizar a população acerca do assunto, para tanto, pode-se promover debates sobre a relevância do cuidado com as finanças em programas televisivos de grande audiência. Por fim, cabe ao Ministério da Educação, enquadrar a educação financeira como um componente curricular obrigatório em todas as escolar, utilizando, para isso, de economistas e especialistas em finanças.