A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 08/02/2020

Segundo o filósofo polonês Zygmunt Bauman, vivemos hoje numa chamada “modernidade líquida”, caracterizada pela supervalorização do agora e isenção de visões a longo prazo da realidade. Nesse sentido, a tese de Bauman é facilmente comprovada quando feita uma análise da atual sociedade brasileira, em que a educação financeira enfrenta graves dificuldades para ser inserida na vida dos cidadãos, principalmente entre a parcela mais jovem, fruto da ausência da abordagem sobre o tema nas escolas e famílias. Como resultado, tem-se uma população cada vez mais consumista e endividada.

Em uma primeira análise, torna-se válido destacar que um dos principais obstáculos para o processo de implantação da educação financeira no cotidiano dos cidadãos se concentra em duas importantes instituições: a escola e a família. Apesar de terem ciência, na maioria dos casos, da relevância do planejamento econômico, ambas se isentam da responsabilidade do tema ou não o tratam com a seriedade necessária. Com isso, os indivíduos passam a negligenciar o gerenciamento financeiro, a confundir os conceitos de vontade e necessidade e a agir por impulso no mercado, assim como ocorre na modernidade líquida observada por Bauman.

Por conseguinte, a sociedade passa a apresentar uma elevação no consumo, superestimando cada vez mais a posse de bens materiais, que culmina no alto índice de cidadãos endividados ou negativados. É neste estágio que a situação se torna mais crítica, uma vez que o mercado é prejudicado com a redução do poder de compra e os indivíduos passam a sofrer uma série de restrições, como a dificuldade ao acesso a financiamentos, empréstimos ou até mesmo emprego. Tal ilustração corresponde à realidade de cerca de 4 a cada 10 brasileiros, segundo dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) de 2018.

Logo, mostra-se imprescindível a tomada de medidas reversivas. Cabe ao Estado, por meio do Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, fomentar a abordagem da relevância da educação financeira nas escolas. Tal medida, através da destinação de recursos financeiros, pode se concretizar com projetos de extensão (cursos, minicursos e/ou oficinas) que instruam estudantes e suas famílias sobre tipos e meios de realizar planejamentos financeiros, pessoais e familiares. Também seria ideal, durante os encontros, o acompanhamento psicossocial, mediado por um profissional, visando a auxiliar o público-alvo na mudança de visão de mundo.