A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 08/03/2020

Em 2008, a nação americana experimentou uma redução histórica na taxa de juros e, consequentemente, expansão do crédito, levando muitas famílias a comprarem hipotecas para aquisição de imóveis de forma inconsequente, sem a mínima condição de quitá-las, culminando assim, em virtude da inadimplência, na maior crise financeira do século XXI. Analogamente, no Brasil, a não educação financeira da população tem gerado um endividamento exagerado, levantando a temática da importância da educação financeira na vida do cidadão.

Mormente, em um mundo arraigado no Capitalismo, onde o dinheiro envolve praticamente todas as atividades fundamentais diárias a serem realizadas por cada indivíduo, discutir sobre finança pessoal deve começar desde a mais tenra idade. Nessa toada, Zygmunt Bauman fez uma crítica ao estilo de vida da sociedade pós-modera com a frase: “Consumo, logo existo”, mostrando que para que se vida bem o consumo é inevitável, sugerindo que ele deve ser feito com consciência e maturidade. Porém, as crianças e jovens, que constituem o futuro de toda nação, não estão sendo preparados de forma efetiva para que sejam competentes para gerir suas próprias finanças, pelo contrário, sendo ignorantes nesse assunto, correm sérios riscos de se tornarem adultos endividados, com baixíssimo poder aquisitivo e, fatalmente, incapazes de alavancar a economia. Fica nítida, com isso, um quesito infalível para quebrar um país: ter um povo improdutivo.

Vale ressaltar que uma população leiga no que tange à gestão financeira própria está fadada ao endividamento generalizado. Os dados do SPC comprovam essa tese, os quais mostram que cerca de 41% da população adulta brasileira encontrava-se com o nome negativado em 2018. Diante disso, sabe-se que um povo endividado é um povo que não pode comprar, e se não pode comprar não movimenta a economia, e se não movimenta a economia não gera novos empregos, e se não gera novos empregos o país entra em crise. Estando o país preso em uma crise desse tipo, como recuperá-lo? Quitando as dívidas da população e aumentando a inflação abruptamente? Nem se pode cogitar.

Infere-se, portanto, que não educar a população, no que concerne à consciência financeira, fatalmente, gera endividamento generalizado. Portanto, cabe ao MEC inserir a disciplina Educação Financeira nas grades curriculares do Ensino Médico, período em que a maioria dos jovens se tornam ativos financeiramente, por meio de programa específico e ministrada por expertises nesse tema, para conscientizá-los da importância de uma boa gestão financeira própria, através de debates, palestras e workshops. Tais medidas devem romper os limites da escola e alcançar a população interessada, eliminando, portanto, a inadimplência exagerada e um possível colapso de nova crise de 2008.