A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 26/03/2020

Em países desenvolvidos como o Japão, a educação financeira faz parte do currículo escolar, além de estar presente na cultura familiar, uma realidade que se distingue bastante da brasileira. Nesse viés, em nações onde o ensino financeiro é adotado desde a infância, a população tende a exercer uma boa gestão da renda adquirida, mantendo assim uma situação de estabilidade financeira. Dessa forma, os índices de endividamento que muitas vezes geram uma situação de pobreza, são reduzidos, e há, consequentemente, um aumento na qualidade de vida dos cidadãos.

No Brasil, de acordo com a Pesquisa Global de Educação Financeira da divisão de raftings e pesquisas da Standard & Poor’s realizadas em 2014 com mais de 150 mil adultos de 144 países, apenas 35% dos brasileiros entrevistados foram considerados como educados financeiramente, o que explica a falta de segurança financeira e o baixo potencial econômico da população. Nesse aspecto, uma pessoa consciente economicamente equilibra seus gastos de acordo com o que ganha e não segue os padrões exacerbados de consumo exigidos pela indústria cultural, que, para o filósofo alemão Theodor Adorno, induz a sociedade a adotar um modo de vida consumista, visando o lucro de seu sistema produtivo. Sendo assim, entende-se que uma boa administração de recursos, pautada no equilíbrio entre ganho e gastos, proporciona uma situação de estabilidade no âmbito financeiro

Segundo o filósofo irlandês Edmund Burke, para ser rico e livre, o indivíduo deve comandar sua própria riqueza, no entanto, se a riqueza o controlar, este será, de fato, pobre. Nesse nicho, uma administração correta dos recursos financeiros, promovida pela educação, proporciona um estado de liberdade, já que, com a estabilidade adquirida, o indivíduo se encontra sem dívidas ou dificuldades em garantir suas necessidades básicas, e assim tem a possibilidade de investir de forma controlada em atividades que promovam mais qualidade de vida. Desse modo, no Brasil, onde mais de 60 milhões de pessoas fecharam o ano de 2018 com o nome sujo, de acordo com o SPC, a qualidade de vida é menor, como pode ser constatado pelo ranking mundial do IDH fornecido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, em que este se encontra no 73º lugar.

Diante da realidade brasileira, cabe ao Ministério da Educação acrescentar a educação financeira na grade curricular por meio de reformas no sistema educacional a fim de formar cidadãos educados financeiramente. Além disso, é responsabilidade familiar, como instituição social, transmitir conhecimentos sobre o assunto para os jovens para que estes possam se tornar conscientes no âmbito financeiro. Assim sendo, a população brasileira deve se tornar mais consciente em relação as questões financeiras.