A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 30/03/2020

A crise de 1929 - ocorrida nos Estados Unidos após a Primeira Guerra Mundial - representou a superprodução diante da baixa atuação do mercado consumidor europeu devido à reestruturação econômica da Europa e à necessidade de se desenvolver conhecimentos mais aprofundados sobre liberalismo e economia. De maneira análoga, no século XXI, é fato que a educação financeira constitui uma questão pouco eficiente no Brasil, ora por desinteresse, ora pela falta de estímulo. Dessa forma, cabe avaliar a importância da construção da autonomia intelectual no combate ao problema, bem como os efeitos do consumismo.

É válido ressaltar, em primeira análise, que a busca por conhecimento representa um objetivo intrínseco à independência dos jovens, uma vez que é por meio dela que a sociedade adquire uma formação crítica de qualidade. Tal fenômeno é ratificado pelo conceito de Esclarecimento do filósofo Immanuel Kant, o qual evidencia que os indivíduos devem atingir o estado de maioridade a partir do desenvolvimento intelectual e do uso público da razão. Nessa perspectiva, percebe-se que o desinteresse pela educação financeira vai de encontro ao pensamento do filósofo, fazendo com que essa parcela da população se mantenha no estado de menoridade e não contribuam para o desenvolvimento da economia brasileira.

Outro ponto relevante, nessa temática, relaciona-se ao conceito de Indústria Cultural, que foi proposto por pensadores da Escola de Frankfurt e esclarece que, num sistema capitalista, as empresas buscam a massificação dos gostos da população para que haja o incentivo ao consumismo e, por conseguinte, a obtenção do lucro máximo. Sob essa ótica, denota-se que a falta de estímulo à formação financeira de qualidade constitui um dos principais fatores que contribuem para esse problema, visto que os indivíduos são facilmente alienados pelos veículos midiáticos. Assim, essa parte da sociedade é induzida a consumir além do necessário, acarretando crises e endividamentos devido à falta de planejamento econômico.

Em suma, observa-se que a pífia busca pela autonomia crítica e o consumo exacerbado são fatores que perpetuam a problemática. Posto isso, com o intuito de consolidar a importância da educação financeira para o desenvolvimento da economia, urge que o Ministério da Educação, por meio de subsídios governamentais, crie campanhas na esfera escolar e nas redes sociais que explicitem a necessidade desse aprendizado para a busca pela independência econômica da população, dando ênfase à relação dessa questão com o consumismo. Somente assim, os indivíduos atingirão o estado de maioridade - conforme foi proposto por Kant - e a problemática será amenizada.