A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 20/05/2020
Em sua obra “A República“, o filósofo Platão disserta sobre a importância da educação na instauração e manutenção da harmonia dentro da cidade-estado. Dessa forma, ainda nos dias atuais, verifica-se a relevância da formação educacional para desenvolvimento pleno de todos os aspectos da vida em sociedade. Sendo assim, é imprescindível a incorporação da educação financeira na vida dos cidadãos, tendo em vista seu papel na potencialização da autonomia dos indivíduos, bem como na construção de um equilíbrio financeiro entre o consumo consciente e o considerado exagerado.
De início, vale ressaltar a importância da educação financeira na potencialização da autonomia dos indivíduos, ao passo que essa fornece métodos de controle, planejamento e investimento do dinheiro. Nesse sentido, o filósofo Immanuel Kant defende a educação como meio para obtenção da autonomia, base das ações humanas. Sendo assim, a conscientização de pessoas mais jovens favorece um melhor gerenciamento das finanças e uma crescente independência financeira em relação a outrem. Apesar da relevância, a falta de educação financeira na maioria da escolas, aliada ao estímulo midiático ao consumo exacerbado, promove a inadimplência dos indivíduos que, de acordo com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), ultrapassa 40% da população adulta. Tal inadimplência desfavorece a autonomia dos cidadãos e seria facilmente evitada com uma formação educacional financeira estável.
Além da importância quanto à autonomia individual, a educação financeira proporciona o estabelecimento de um equilíbrio financeiro entre o consumo consciente e o exagerado. A incorporação do hábito de cuidar das próprias finanças, através da estruturação da educação e evitando a superficialidade do ensino, facilita o bem-estar financeiro e social de cada um. Essa educação trabalha os desejos e sonhos, tornando-os alcançáveis pela planejamento do orçamento e empreendedorismo. Ademais, a conscientização em relação ao próprio dinheiro estabelece um equilíbrio, no qual a possibilidade de comprar se contrapõe a necessidade de fazê-la. Entretanto, o crédito facilitado pela globalização permite a formação de cidadãos consumistas, como evidenciado em dados divulgados pelo SPC, no qual 93% da população admitem o risco de gastar mais do que podem.
Percebe-se, portanto, a importância da educação financeira na vida do cidadãos. Desse modo, o Ministério da Educação, deve buscar implementá-la na base curricular e incorporá-la nas escolas, promovendo a formação continuada dos professores, para que esses desenvolvam uma consciência financeira em crianças estruturadas e autônomas. Além disso, a mídia deve facilitar a divulgação de aulas gratuitas de educação financeira, através de portais específicos desses conteúdos, visando ao equilíbrio e à harmonização social pretendida pela educação platônica.