A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 19/05/2020

A escola Fisiocrata pressupunha a existência de uma ordem natural capaz de gerir e organizar os fatos econômicos, logo, a desigualdade e exploração presentes na sociedade eram encaradas apenas como fatores reguladores da economia. No entanto, a educação financeira, ao incutir nos cidadãos conhecimentos acerca da administração de suas finanças, de forma didática, pode reduzir essas disparidades sociais que, no século XVIII, eram encaradas como naturais pela Fisiocracia.

A priori, o pedagogo Paulo Freire, em suas críticas acerca do modelo educacional “bancário”, pautado n o depósito de informações técnicas, sem a preocupação com uso delas para a conscientização dos discentes, propunha que o objetivo da educação deve ser libertar os. indivíduos de situações opressoras. Nesse sentido, a introdução de um ensino que ajude a população a gerir seu dinheiro pode ser encarado como um passo para atingir o ideal proposto pelo pedagogo, visto que os estudantes poderão aplicar os conhecimentos matemáticos, por exemplo, para além do ambiente escolar. Assim, tal matéria tem o potencial de resgatar o que já é ensinado nas escolas e utilizar esse conhecimento na formação de indivíduos responsáveis, conscientes e aptos para melhorar sua condição de vida por meio de empreendimentos e economias.

Entretanto, existe um hiato profundo entre introduzir a educação financeira  e obter  consequências reais na vida vida do estudante. Isso ocorre porque, tal como já afirmou o filósofo A. Schopenhauer, os limites do campo de visão de um indivíduo determinam o seu entendimento sobre o mundo que o cerca, logo, a transmissão dessa disciplina deve levar em conta que cada faixa etária possui suas peculiaridades e, portanto, campos de visões diferentes. Dessa forma, para garantir a efetivação dessa matéria na realidade dos estudante, é primordial estabelecer estratégias que visem o melhor aproveitamento segundo as idades dos discentes, pois a forma como um aluno do ensino médio encara os impactos do dinheiro em sua vida difere completamente da visão de um estudante do ensino fundamental.

Portanto, a fim de potencializar os efeitos da educação financeira, é imperiosa a ação do Ministério da Educação, aliado as governos estaduais, na capacitação dos docentes. Isso pode ocorrer por meio de um programa, com a participação de economistas e psicopedagogos, que trabalhem junto com os professores para desenvolver métodos de ensino de acordo com a faixa etária dos alunos. Uma dessas estratégias pode ser o uso de jogos que envolvam a administração de dinheiro para o público infantil e debates sobre autonomia e investimentos com os adolescentes. Assim, será possível que a educação financeira direcione o Brasil para um caminho contrário ao conformismo atrelado à Fisiocracia.