A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 20/05/2020
No romance “Capitães de Areia”, de Jorge Amado, é retratada a realidade de jovens sem perspectiva em situação de rua em Salvador. Sem acesso a educação, tais jovens vivem uma vida à margem da sociedade e da lei, levando uma vida de crimes. A falta de acesso a educação,como bem é demonstrado ao longo da obra, tem efeitos devastadores para com a população, e a inexistência de um programa de educação financeira é um exemplo contundente disto. A problemática da educação financeira e sua importância na vida do cidadão está envolvida principalmente com o conceito da “educação bancária” e da desigualdade social em si.
Em primeiro lugar, é preciso entender como se desenvolve o processo educacional no Brasil e suas falhas. De acordo com o pedagogo Paulo Freire, a educação no Brasil contemporâneo é uma “educação bancária”, ou seja, uma educação que trata os estudantes como bancos de depósito de conhecimento, sem articular os conhecimentos com a realidade objetiva do aluno e sem criticidade. As consequências deste sistema educacional se demonstram claros em questões como a educação financeira, que demandam um indivíduo crítico e consciente da realidade social.
Além disso, é importante entender a condição econômica do brasileiro e como ela se configura como um impeditivo de uma análise concreta da educação financeira. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 50% da população brasileiro vive com menos de 15 reais por dia. Simultaneamente, de acordo com um relatório da Organização das Nações Unidas, o Brasil é o país com a segunda maior concentração de renda do mundo, tendo 28% da renda nacional concentrada entre o 1% mais rico da população. Assim o sendo, mais que somente uma educação financeira, se demonstra evidente da articulação da mesma com um projeto de redistribuição de renda, vide que não se pode falar em educação financeira se não se há mesmo a renda em primeiro lugar.
Portanto, para combater a problemática levantada pela falta de acesso a educação brasileira, é necessária uma articulação do Ministério da Fazenda para com as secretarias de educação de cada estado da federação com o objetivo de nacionalizar o ensino de educação financeira dentro de matérias já existentes, tais quais sociologia ou filosofia, acrescendo no currículo uma orientação freiriana de articulação do conhecimento para com a realidade objetiva social do estudante. Para além disso, vê-se como imperativo um programa de iniciativa federal guiada pelo executivo e legislativo em conjunto com o objetivo de distribuição de renda a fim de combater desigualdades econômicas no Brasil, nacionalizando empresas com o intuito de reinvestimento em políticas públicas e taxação de dividendos. Assim, pode-se imaginar um futuro sem tantos jovens e adultos capitães de areia no Brasil.