A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 21/05/2020

Na obra filosófica “Emílio, ou da Educação”, o exímio autor Rousseau defende a educação como ferramenta de mudança, na qual deve ser aplicada desde a infância, para que o indíviduo se torne cada vez mais autônomo e, assim, exerça sua própria liberdade. Diante disso, o pensamento de Rousseau inserido na conjuntura hodierna descreve a importância da educação financeira na vida do brasileiro, pois por meio dessa ele pode desenvolver sua independência financeira e também ser mais consciente economicamente. Dessa forma, faz-se necessário a eficiência estatal no que tange à democratização da educação econômica e o incentivo dos pais sobre os filhos na organização dos gastos familiares.

A priori, é evidente como é importante educar financeiramente o indíviduo brasileiro, entretanto sabe-se que a desigualdade do acesso a um ensino de qualidade impossibilita que essa educação seja aplicada de forma igualitária em todas as escolas. Visto isso, cabe ressaltar que de acordo com o sociólogo Immanuel  Kant, o homem e aquilo que a educação faz dele. Desse modo, entende-se o ensino econômico como instrumento imprescindível para a capacitação do homem, pois incita sua critica a respeito do assunto, ensinando-os a lidar com conflitos monetários e com o controle de gastos. Ademais, o Estado deve dispor esse segmento como pauta social prioritária, com o fito de mitigar o problema da desigualdade e, assim, garantir que toda a população desfrute de seu direito social.

Outrossim, é imperativo pontuar como a negligência da familiar em introduzir os filhos no contexto de organização financeira fomenta problemas econômicos estruturais futuros, já que estes indivíduos não são devidamente estimulados a participar da administração das despesas na prática. Dessa forma, vale enfatizar que segundo dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), em 2018 o Brasil apresentou 41% da população ativa com CPF negativado devido a contas atrasadas. Sendo assim, observa-se que ensinar os brasileiros a controlarem o orçamento familiar com o intuito de diminuir gastos supérfluos é fundamental, pois minimiza as problemáticas econômicas e previne acúmulo de dívidas oriundas da falta de conhecimento e organização.

Depreende-se, portanto, a relevância da educação monetária na vida dos cidadãos. Posto isso, o Ministério da Educação deve, por meio de amplo debate entre o Estado, Conselho Administrativo de Defesa Econômica, sociedade cívil e profissionais da área lançar um Plano de Democratização à Educação Econômica, a fim de que o maior número de brasileiros possa desfrutar desse direito e ampliar seu campo de visão no aspecto financeiro. Além disso, os principais canais televisivos devem, por meio das novelas, demonstrar maneiras introduzir os filhos na organização financeira familiar, educando-os, para assim esta educação ser ferramenta de mudança como abordou Rousseau.