A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 21/05/2020
José Saramago, em seu livro ‘‘Ensaio Sobre a Cegueira’, caracteriza a alienação da sociedade com relação ás demais realidades sociais. Saindo da ficção, infere-se que esse cenário de alheação é observado, hodiernamente, no que tange à temática da educação financeira na vida do cidadão tupiniquim, uma vez que, apesar de ser fundamental, sua abordagem instrutiva ainda é colocada em detrimento frente ao consumismo desenfreado observado na contemporaneidade. Assim, é indubitável analisar a influência do papel midiático, e do educacional, sob a problemática abordada.
A priori, desde os processos denominados Revoluções Industriais e a ascensão ao capitalismo, observa-se que os recursos tecnológicos dos meios de comunicação tornaram-se ferramentas essenciais, e indispensáveis, para as relações econômicas do século XXI. Ademais, nesse contexto de dependência observado, notadamente na nação canarinha, nota-se que há uma evidente influência midiática relacionada ao aumento do consumismo na sociedade contemporânea, uma vez que o telespectador torna-se alvo de influências de “marketing” e de propagandas diariamente, fato esse que o induz, muitas vezes, a consumir desenfreadamente e sem cautela, o que propicia o surgimento de sérios problemas econômicos. Fato esse evidenciado pela revista “UOL”, na qual “Cerca de 62,6 milhões de brasileiros terminam 2018 com o nome sujo”, evidenciando, assim, um dos maiores problemas característicos da ausência de uma educação financeira na vida dos cidadãos.
Além disso, consoante o pensamento de Immanuel Kant, o indivíduo só atinge a maioridade quando sintetiza a possibilidade de agir com sua própria razão. Não obstante, o Estado, ao negligenciar, em grande parcela, o ensino financeiro nas escolas do país, obriga as crianças e adolescentes a permanecerem em seu estado de menoridade. Sob essa ótica, as instituições de ensino emergem como importantes agentes mitigatórios, já que, ao formarem cidadãos mais autônomos, podem vir a contribuir no processo de conscientização acerca do gerenciamento financeiro dos estudantes e, consequentemente, auxiliam no equilíbrio econômico do país.
Destarte, para que a “cegueira” da sociedade seja mitigada, medidas tornam-se fundamentais. Para que isso ocorra, o Governo, em parceria com o Ministério da Educação, deve investir em palestras e projetos sociais acerca da importância de uma educação financeira para cada cidadão, por meio de um amplo apoio midiático, que inclua propagandas televisivas e entrevistas em jornais, a fim de reverter barreiras sobre o tema e atingir um público maior. Ademais, o Legislativo deve ratificar um projeto de lei que inclua, na grade curricular do ensino médio, o ensino financeiro, por meio do apoio das secretarias de educação de cada município, a fim de elevar o Brasil a uma verdadeira posição de Estado de direito.